redes sociais

No século XIX, preponderavam três grandes discursos sobre a leitura: o da escola (professores), o da Igreja (padres) e o da biblioteca (bibliotecários). No século XXI, então vigente, soma-se a eles o discurso da Internet (leitura digital). Chartier diz que “no século XX e XXI – as práticas de leitura emanciparam-se frente às ordens e normas – assim como o fizeram as práticas sexuais” (1998. p.25). Da proibição à liberdade total para ler. Lê-se de tudo. A Internet polvilha todo tipo de conteúdo ao seu leitor. O que pensar ou qual é a relação entre leitura e internet?No século XIX, preponderavam três grandes discursos sobre a leitura: o da escola (professores), o da Igreja (padres) e o da biblioteca (bibliotecários). No século XXI, então vigente, soma-se a eles o discurso da Internet (leitura digital). Chartier diz que “no século XX e XXI – as práticas de leitura emanciparam-se frente às ordens e normas – assim como o fizeram as práticas sexuais” (1998. p.25). Da proibição à liberdade total para ler. Lê-se de tudo. A Internet polvilha todo tipo de conteúdo ao seu leitor. O que pensar ou qual é a relação entre leitura e internet?

Para responder esta pergunta não há como fugir do conceito da multimodalidade. O que é isso? Ou seja, a textualidade se apresenta na web de forma multimodal. Vários modos. Imagens, textos verbais, vídeos, diagramas, fluxogramas e ainda diversas práticas memes, curtidas, compartilhamentos. O pensamento é fluido. Não há como fazer julgamentos, se isso é bom ou ruim. O que acontece é que as práticas de leitura mudaram.

A relação entre leitura e internet é uma relação muito forte e ao mesmo tempo muito tênue. Tudo na internet é leitura, mas tudo pode não ser. Tudo pode ser distração. A leitura é uma entrega ao texto e a si mesmo. No livro impresso essa entrega talvez se faça de forma mais constante, pois não há muitos dispositivos para a distração. A internet é a terra alheia, terra do outro e também terra de mim mesmo, pois também sou produtor de conteúdo. É possível acreditar na potencialidade da internet que promove a democratização da leitura. Porém, sozinha ela não dá conta. É preciso que haja um direcionamento das práticas de leitura. As redes sociais – uma grande polêmica – promovem a maior das democratizações da informação. Porém, ali tudo é diversão, tudo é falado, não há filtros. Filtros são uma ditadura? Em alguns casos sim. Em outros, os filtros são os limites da interpretação. Interpretar é dar corpo aos sentidos. Mas nem todo sentido é válido. Sírio Possenti, diz que há leitura errada sim. Um autor quando elabora um texto, prepara-lhe um sentido. Um só? Vários, que escapam das mãos (ou mente) do autor. Mas nem todos são possíveis. A internet parece querer dar sentido a tudo.

O non-sense, a imaginação, a ludicidade, o lirismo… Não essas várias características do texto literário? Estamos perdendo-as? Volto a insistir na possibilidade. Internet é possibilidade. Para que uma boa leitura nela se concretize, é preciso traçar os objetivos. Vá à internet com objetivos prontos e fará uma boa limonada. Agora vá sem objetivo algum e tudo parecerá fazer sentido e nada fará sentido ao mesmo tempo.

Leitura e internet configuram daqui para frente uma relação de nunca acabar. Em construção constante. Novamente busco Chartier, um dos maiores estudiosos sobre o livro e a leitura, que diz “saber ler e escrever permite também novos modos de relação com os outros e os poderes” (1991, p.119). Acrescentaríamos aí: saber ler, escrever e navegar na internet. Como está nossa relação com o outro? E o que fazemos com o poder que nos dá a internet? Lemos?

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