Please Like Me

Foi por meio do Blog MVG – Minha Vida Gay (http://minhavidagay.com.br) que tomei conhecimento da série “Please like me” escrita e dirigida por Josh Thomas. Josh é o nome também do protagonista, um jovem adolescente de 20 anos aproximadamente, que tem uma mãe bipolar, os pais são separados, mora com o amigo Tom em uma república e é gay.

Falar da homossexualidade, já falei. Falar da escrita de temática gay, também. Mas talvez falar de filmes e materiais audiovisuais seja a primeira vez. Resolvi de início fazer a historiografia de um leitor gay. A primeira literatura homoerótica que li foi o clássico “O terceiro travesseiro”, emprestado por um amigo de faculdade. Ali já abria um horizonte. O primeiro filme talvez tenha sido “O segredo de Brockback Mountain”. Depois disso já vi vários até mesmo um pouco de Almodóvar com “Má Educação” e “Volver” que toca nestas questões da sexualidade de modo profundo e escatológico. Em anos passados próximos assisti ao triste “Orações para Bob” num momento cultural e de engajamento sócio-político no cursinho comunitário, filme indicado e comentado por uma aluna. Na literatura, antes de começar com “O terceiro travesseiro”, já tinha lido “A confissão de Lúcio” e também o “O ateneu” que abordam a questão.

As leituras que se fazem da homossexualidade são várias. Nesta série, “Please like me”, cuja tradução é “Por favor, goste de mim” temos sentimentos e rupturas, padrões ou revoluções. Ao mesmo tempo que Josh é libertário e até fuma maconha, ele é apegado aos valores familiares. O drama vivido com a mãe que é bipolar e vive entre crise maníaca e depressão, internada em hospitais e com um fim um tanto chato, é o norte condutor num momento em que Josh, na verdade, é que é a mãe, pai, amigo, conselheiro, a força motriz de todos que estão ao seu redor. E assim ele vai vivendo sua vida e ao mesmo tempo delineado a identidade sexual. Frustrado profissionalmente e ainda não decidido quando ao seu futuro acadêmico ou profissional, Josh é um mar de incertezas e possibilidades. Experimentar é a chave do vivenciar. O que quero dizer com isso? Que, a partir do momento em que você experimenta uma determinada situação, um determinado sentimento, ganha-se vida dentro de si um pensamento, uma ideologia, um discurso, uma linguagem. Viver é dar corpo aos sentidos. E ao dar corpo aos sentidos a gente se marca como sujeito (de nossa própria história). Por isso julgamentos e prejulgamentos marcam apenas um ponto de vista num emaranhado de várias outras opiniões e situações.

Apesar de em “Please like me” haver várias questões discordantes para mim, como a questão do uso de drogas, o sexo desregrado às vezes (pois em dois momentos Tom adquire clamídia), vejo a questão da homossexualidade, como disse o Flávio no seu post do MVG trabalhada de forma natural. E ela é natural. Não escolhemos ser gays. Nasce-se e pronto. E vive-se ou não (a sexualidade genuína). Uma das facetas de um ser maior, ser que é bio-psiquíco-social. Na composição do sujeito há implicações biológicas, quando a natureza determina, há implicações psicológicas, quando a mente, a personalidade e o inconsciente atuam, e, como vivemos em sociedade, estas relações (sociais) também interferem nesta composição de nossa subjetividade. Todos esses três aspectos são entrelaçados sem dar preferência a nenhum.

Ao dizer “Por favor, goste de mim”, temos várias possibilidades semânticas (de significado ou sentido). Por favor, goste de mim do jeito que sou; goste de mim, pense um pouco em mim e não só em você; apenas, goste de mim, mais nada; goste de mim, mas seja você; eu gosto de mim…

A leitura audiovisual da série também mostra como uma outra cultura (se não me engano a série é australiana) enxerga a homossexualidade. “Please happy with me”. Seja feliz comigo, conosco! Deixe-se viver.

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