Talvez um dos textos considerados de maior complexidade dentro da Literatura é o texto poético, ou a poesia. Mas, espera aí, é poesia ou poema? A noção de poesia como poema já se tornou sentido comum. Alguns distinguem o poema como sendo o gênero, o texto em mãos e a poesia o processo, o caminho a se percorrer para se chegar a um poema. Por isso que se diz que a poesia é o criar de um poema, ou seja, fazer poesia, é ação.

Muitas vezes considera-o de difícil compreensão por empregar linguagem figurada, expressões conotativas e forte lirismo, ou seja, subjetividade e emoção. Muitos dizem que não entendem a poesia. Mas poesia é para ser entendida? Não! Poesia é para ser sentida. Deixe-se envolver no texto poético. Embale no ritmo da poesia que tem musicalidade e expressão. Poesia é brincar com as palavras e tudo ou quase tudo pode nesse jogo de polissemia – múltiplos sentidos.

A poesia é tão expansiva que diversos poetas criaram poemas para falar da própria linguagem ou do fazer poético. A luta com suas emoções, sentidos e o processo criativo é quase sempre relatada pelos autores. Como diria Clarice Lispector “escrever é duro como quebrar rochas”. Visto como um ser especial, o poeta assim o é, pois fala com o coração. Usa a razão para equilibrar o jogo da psicanálise verbal. Na psicanálise proposta por Freud, a cura das psicoses pela escuta de si mesmo, ou melhor, pela escuta de seu inconsciente que se estrutura como uma linguagem é, na poesia, o jogo desta instância egoica que emerge das profundezas da alma, para dar corpo e voz ao sujeito.

Escreva poesia! Comece aos poucos. Não precisa de rima perfeita e métrica. Olhe os carors passando na rua ou um pássaro voando na mata. Se os faróis do carro ou as asas do pássaro ao bater te comoverem, escreva aquilo que você sentiu. Pois, poesia é para ser sentida. Dê voz, àquilo que muitas vezes não tem voz. E assim embelezamos e curamos e deixamos o matar de lado, pois a palavra tem poder para isso!

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