A literatura por ser o trabalho com a palavra, a palavra lapidada como que num trabalho de ourivesaria, por vezes faz o texto literário ser pouco apreciado ou de difícil entendimento. Muitas vezes, isso se deve ao fato de que o apreciar e o desenvolvimento da literatura como uma sensibilidade é pouco difundido, como se fosse um saber restrito a poucos. Além de ensinar escolas literárias é preciso ensinar também as características do texto literário e que sua apreciação não pode ser rápida e fugaz, mas deve ser meticulosa, aos poucos, um sentido aqui outro ali.

Por isso, é objetivo deste texto não aprofundar, mas tecer rápidas observações sobre a subjetividade, a intertextualidade e a metalinguagem que são conceitos essenciais em literatura.

Todo texto literário é subjetivo. A subjetividade diz respeito a algo pessoal e próprio de cada um. Ela está ligada a maneira do autor escrever, o que é próprio de cada escritor. Quase sempre manifesta-se no trabalho com o enredo com as temáticas que o texto literário aborda e na construção das ideologias que o texto apregoa. Por escolher determinado posicionamento e não outro, o autor está sendo subjetivo. Como dificultador dos textos, pode-se dizer que ela é a matriz da interpretação nos textos literários, pois é preciso ir além do “que” o texto diz e buscando o “como” ele diz. Compreender os pontos de vista, os posicionamentos de um autor de um texto e ter leitura ativa e repertório cultural. Por outro lado, a subjetividade é um facilitador de textos, pois não há textos iguais e nem maneiras iguais de dizer sobre um determinado assunto. Por mais que sejam parecidos, algo sempre é próprio de cada autor na construção do eu-lírico.

Embarcando nessa relação que se faz um texto com outro texto e a criação do repertório cultural, temos a intertextualidade. Diz-se que o único discurso original é a frase divina na Bíblia: Fiat lux (faça-se a luz)! Após isso, o que temos são ressignificações. A intertextualidade é quando um texto faz memória a outro texto. Ela pode ser citada ou indireta. A citada é quando eu digo, eu marco o texto e o autor que estou citando, muito comum nas paráfrases acadêmicas, nas teses, dissertações e artigos científicos. A indireta é quando usando-se das ideias de um determinado autor eu crio outro texto. As paródias podem ser exemplos de intertextualidade e ainda usam a mesma estrutura textual. Os textos se relacionam entre si e por isso interpretar (ou seja, entrar, mergulhar, transpassar) um texto literário é levar em conta esses fatores, fazendo uma leitura crítica e ativa.

Além disso é muito comum a literatura ser usada para falar dela mesma ou para falar da linguagem e da língua portuguesa (no caso do Brasil e países que usam esse idioma). A linguagem que se explica é a metalinguagem. É usar das palavras para falar delas mesmas. Assim temos diversos exemplos como os poemas Língua Portuguesa (Olavo Bilac), O lutador (Carlos Drummond de Andrade), Motivo (Cecília Meireles) e mais contemporâneo, Falar (Ferreira Gullar).

Por fim o que é possível dizer é que a literatura é uma aventura, um caminho a ser percorrido e gostoso (para quem gosta). Ler é desvendar, pensar, refletir e criticar e, sobretudo, sentir! Por mais sensibilidade no mundo, que estamos precisando! Agora, quando for ler os textos literários procure levar em conta esses conceitos essenciais em literatura.

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