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No último fim de semana, estive com meus priminhos – uma menina de 10 anos e um menino de 9. No final da tarde, fomos para o computador jogar joguinhos on-line de criança. Foi uma festa só! Mas o que despertou para a escrita deste texto é a facilidade das crianças com a tecnologia. Marc Prensky, pesquisador norte-americano, chama esta geração de “nativos digitais”. Eles sabem os sites dos joguinhos, se viram com a tecnologia, é impressionante!

Por outro lado, meu priminho está com dificuldade na leitura. Até onde o contato com a tecnologia é produtivo? O que não se pode negar é que as crianças de hoje têm contato com a tecnologia e ponto. Ou melhor, elas vivem uma vida toda tecnológica. Respondendo à pergunta que fiz, o contato com a tecnologia pode ser produtivo a partir do uso que se fizer dele. Já existem diversos estudos sobre a “gameficação”, ou seja, o uso dos games na educação.

A linguagem é entendida na definição Saussuriana, como “a capacidade inata do homem de comunicação”. Como nos comunicamos hoje? A criançada se comunica nas teclas de um smartphone. Assistem lives, canais no YouTube, e jogam, jogam muito! Não se pode negar que esta é uma forma de comunicação. O exercício da linguagem, então, ou o trabalho no ensino de linguagens, precisa ser repensado.

Ainda sou do bom e velho livro de papel. Sentar-se, ler um bom livro e também aprender da “forma antiga”, com lápis, papel e caneta. Mas os jogos podem ter também seus pontos positivos. Num intervalo de interação, pude me aproximar ainda mais dos meus priminhos e com eles interagi, desenvolvendo também práticas de linguagem. Eu não sabia muito como jogar o joguinho e a minha prima me explicou tudo certinho. A partir do momento em que ela explica, mostra o passo a passo e depois executamos a tarefa, há ai um exercício de linguagem e o uso da faculdade de comunicação.

A linguagem, a tecnologia e as crianças emergem neste mundo moderno e como estudiosos da linguagem precisamos ficar atentos. O que você acha sobre esta questão? O que sugiro é que em vez de tecermos críticas mordazes e sermos totalmente contra a tecnologia na vida criança é melhor encarar a realidade – porque a tecnologia está aí – e articular estes três eixos – a linguagem, a tecnologia e as crianças.

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