Há algum tempo venho pensando na questão da acessibilidade e depois de muito refletir também fiz uma associação desta com a linguagem. Entendo a acessibilidade como a promoção da autonomia das pessoas que tem alguma limitação. O exemplo mais comum são deficientes físicos, cadeirantes que precisam de rampas e tantas outras adaptações.

Um dos pontos que me despertou para a questão é a chamada “inclusão”. Muitos lugares públicos já estão preparados e adaptados com a adequação de seu espaço físico. Porém, a inclusão de fato ainda não aconteceu. Poucos têm acesso e a pessoa que realmente precisa, muitas vezes ainda sofre tantas outras limitações.

Mas como tenho falado cada vez mais sobre linguagem aqui no blog a acessibilidade na linguagem é um fato que merece destaque. Você sabia que a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é a segunda língua oficial do Brasil, instituída por lei? Poucos sabem e é pouco difundida, assim como é o braile para cegos.

Temos a linguagem (no singular) como a capacidade inata do homem de comunicação. Mas a partir das formas e relações interpessoais temos uma pluralidade de linguagens. Não há só uma forma de se comunicar.

O surdo sofre enorme limitação, pois a LIBRAS pouco é utilizada na sociedade. É pouco ou quase nada ensinada. Assim permitir ao surdo o acesso à sua forma de comunicação não é apenas garantir que ele tenha um intérprete, mas é promover a todos que possam aprender para se comunicar com ele.

O cego, outras limitações, principalmente por parte das bibliotecas que não oferecem obras em braile. É claro que não podemos generalizar, falo de uma realidade de uma cidade pequena. Nos grandes centros é claro que o acesso é maior, mas, mesmo assim, ainda tem muito o que se fazer.

Como coloquei como título “caminhos abertos”, destaco que não é só abrir o caminho para aquele que tem alguma limitação, mas é abrir o nosso caminho para que possamos nos comunicar e dar o acesso às diversas formas de linguagem. A acessibilidade não é só preparar o espaço ou os recursos, mas é usá-los de fato. É disseminar esse direito das pessoas com deficiência.

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