Neste texto, apresento a obra “Os sertões” e também um pouquinho sobre o Pré-Modernismo.  O livro narra, basicamente, a Guerra de Canudos. De início, é preciso conhecer e entender o que foi este conflito e quem foi o autor Euclides da Cunha.

euclides

A Guerra de Canudos foi um confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento de cunho sócio-religioso, liderados por Antônio Conselheiro, no interior da Bahia, na região de Canudos, que aconteceu de 1896 a 1897.

Euclides da Cunha foi um autor brasileiro que nasceu em 1866 no Cantagalo (RJ) e morreu em 1909 também no Rio de Janeiro. Sua morte foi bastante trágica. Ele foi assassinado por um amante da sua mulher. O que pouca gente sabe é que boa parte de “Os Sertões” foi escrita em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo. Euclides era engenheiro, mas gostava muito de escrever e tinha muita habilidade com as letras e, por isso, foi convidado a fazer uma reportagem sobre a Guerra de Canudos. Logo depois de ser enviado para ser correspondente do conflito na Bahia, ele foi enviado para São José do Rio Pardo, porque uma ponte de estrutura metálica em cima do Rio Pardo havia quebrado inúmeras vezes e por mais que consertassem o defeito voltava a ocorrer. Isso acontecia devido a um declive no rio e como Euclides era um engenheiro renomado e muito perspicaz, estudou a topografia e geografia do lugar para que o problema parasse de acontecer.

Em São José do Rio Pardo, em uma casa de zinco, onde descansava do serviço, o autor escreveu boa parte de “Os Sertões”. Até hoje, a cidade respira a cultura Euclidiana, com estudos de suas obras na chama Semana Euclidiana e com a disposição de uma Casa de Cultura Euclides da Cunha onde é possível conhecer toda a história do autor. Desde estudos para séries iniciais do ensino fundamental até estudos doutorais são realizados na cidade com a obra “Os Sertões” e o percurso histórico do seu autor. Os restos mortais de Euclides também estão em São José do Rio Pardo e a cidade é considera berço de “Os Sertões”. Seu filho Quidinho, também foi morto por Dilermando, amante de Dinorá, mulher de Euclides. Ao descobrir o caso Euclides se duela com Dilermando e é morto por ele. O filho faz o mesmo e a tragédia se repete. O único filho que lhe deixou descendentes foi Manoel.

Sobre as características literárias, o livro é uma mistura, uma fusão de ensaio científico, relato, reportagem e romance. O emprego da linguagem e seu uso intencional é que dá o tom de romance ao livro. Apresenta muitas figuras de linguagem e um trabalho estético minucioso realizado pelo autor, que tinha um cuidado muito grande com a palavra. É considerado uma narrativa de guerra e está dividido em três partes: A terra, O homem e A luta. “A terra” é a descrição do local, do espaço, dos costumes de Canudos, um povoado do Nordeste brasileiro, na Bahia. “O homem” é a síntese e a gênese do jagunço priorizando a figura de Antônio Conselheiro que era emblemático, misturava religião, guerra e política, mas era muito querido e temido pelo povo. “A luta” narra o próprio conflito, o desenrolar da guerra. O professor Sérgius Gozaga define que há em “Os Sertões” três determinismos, as condições são determinadas pelo meio, pelo homem etc. Há o determinismo geográfico (A terra), racial (O homem) e histórico (A luta).

A luta começa por meio da aquisição de madeira para cobrir a Igreja de Canudos e as autoridades de Juazeiro recusam a entrega desta madeira e enviam homens para guerrilhar, já que Antônio Conselheiro confrontou-as.

Foram quatro expedições e Euclides cobriu a quarta para o jornal “O Estado de São Paulo”. Canudos era uma região muito pobre e nela havia uma rixa muito grande entre os coronéis que achavam que o povo do local era dominado por Antônio Conselheiro e o achavam um louco. O importante do texto é a figura do líder, carismático, de uma pessoa pobre, mas que luta por seus objetivos. O exército envia os soldados e há as quatro expedições.

Euclides narra com muita propriedade o que viu e faz um apelo social muito forte. É um livro muito importante e muito cobrado em vestibulares. Muitos consideram-no de difícil leitura, mas é muito importante para o cenário da literatura brasileira. É um registro social e histórico e o início ou fomentação do jornalismo literário no Brasil.

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Casa de Cultura Euclides da Cunha – Excursão E.E. São José – Passos MG

Vídeo no canal Intertexto Passos, com os mesmos dizeres:

https://www.youtube.com/watch?v=8HkesQJIGPs

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