Diante de tanta violência existente em nossa sociedade e diante do fato de que muitos crimes são cometidos por menores de idade e que muitas vezes ficam impunes é comum que pensemos que reduzir a idade penal, ou seja, a idade a partir da qual uma pessoa pode ser presa e pagar pelos seus crimes, parece ser a solução mais evidente. É claro que ficamos com sentimento cada vez mais intenso de insegurança e que a criminalidade tomou conta de nossas crianças e jovens.

Essa questão é polêmica assim como a questão da legalização das drogas ou da descriminalização delas. O fato é que o Brasil ainda é um país de terceiro mundo com sistema de saúde precário e educação das piores. Todo problema social brasileiro passa pela falta de estrutura do país e também pelo baixo nível cultural apresentado pelos seus moradores. Pensar na redução da maioridade penal é apenas a ponta de um iceberg muito maior. O problema não é só a inserção do adolescente e do jovem no tráfico de drogas. Por cima disso há um trabalho de criminosos, traficantes, e quadrilhas que alicerçam esses jovens. Muitos deles, à mercê de terem uma casa boa para morar, comida boa e gostosa na mesa, se sentem reféns do crime para que ao lucrar com isso possam ter seus bens materiais acessíveis.

É senso comum dizer que o que precisa, então, é de investimentos na educação. Só a educação escolar não basta. Muitas vezes o jovem torce o nariz para a escola e não sente o mínimo de interesse pelas aulas como elas são formatadas no dia de hoje. É preciso transformar a cultura do país. O famoso jeitinho brasileiro parece ser o maior patrimônio que temos. Isso é triste e assustador. Precisamos de acesso aos bens culturais. Difundir a cultura, e não apenas a cultura erudita. É muito caro para uma pessoa que nem tem o que comer visitar um museu, ir a uma peça de teatro ou ao cinema. A fomentação da cultura passa pela cultura de rua, pela cultura popular. Disseminar atividades como o hip-hop, as tradições folclóricas (que estão acabando) fazem com que haja a participação ativa da sociedade. Mas também não basta trabalhar com a questão da cultura. O crime está muito além. É preciso repensar o combate ao tráfico de drogas e o policiamento mais engajado e participativo na sociedade. Sabemos que há corrupção dentro da própria polícia.

Reduzir a maioridade penal não acabará com a criminalidade, pois esse é um problema participante de um emaranhado muito maior de outros problemas ainda maiores. O Brasil está no fundo do poço e só sairá dele quando vivermos engajados na construção do primeiro mundo de fato, não só de riquezas econômicas, mas de paz e participação ativa da sociedade.

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