Quando não conseguimos agradar as pessoas, ou quando não conseguimos ser agradados por elas, há sempre um mal-estar, individual e coletivo. As relações sociais estão cada vez mais complexas. De um lado, estamos sempre correndo, procurando fazer mil coisas a todo momento. De outro, um ser que se angustia, busca espalhar suas farpas para que os seus desejos sejam atendidos.

Há um descompasso entre as pessoas e ao mesmo tempo uma nebulosidade que fica difícil saber quando realmente estamos satisfeitos, e também quando a outra pessoa quer ter o feedback de que está cumprindo o seu papel da melhor forma possível.

Fazer valer o seu direito de consumidor ou ter boas relações saudáveis e afetivas, mesmo a quem lhe presta um serviço, na base da amizade, no contato afetivo e carinhoso de pessoas que se vivem em famílias expandidas por todos os lugares que frequenta? Isso acontece apenas em cidades pequenas, onde todos se conhecem, dirão alguns. Não é possível acreditar. O homem está cada vez mais certo de que não dá para separar vida social de vida particular. Não somos máquinas que mecanicamente são programadas para dizer sim, sim, não, não.

Visto que o século XXI é o século do espírito, é possível crer que a cada vez mais deveremos desenvolver a sensibilidade para lidar com pessoas. Se hoje eu te maltrato amanhã pode ser o contrário. Às vezes nem partindo de você, mas de outras pessoas que terão atitudes “leoninas”, ou seja, com ferocidade, da mesma forma que eu agi com você.

É tempo de guardar as farpas e começarmos a evitar esse mal-estar que é denominado individual, quando em nossas particularidades, no nosso mundinho fechado, estamos sempre de mal com a vida. E é também coletivo, pois às vezes do lado da outra pessoa pode ser que também não esteja havendo um esforço de superação. Aí, o meu mal-estar se torna o nosso mal-estar.

Que as relações sejam mais aprazíveis e sinceras. Que quando eu disser que hoje não estou tão satisfeito, possa ser feito num nível de cordialidade, e sem ressentimentos e melindres de ambas as partes. Mas para isso, é preciso ressaltar: a cordialidade, o bom senso e a pacificidade devem imperar.

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