Do século XX para cá, o mundo experimenta uma completa liberação sexual, ocasionada, principalmente, com a chegada da pílula anticoncepcional que dissocia o prazer da procriação. É inegável que a liberação sexual representa um avanço na quebra de paradigmas e também a resolução de conflitos que antes eram vistos como profundas tormentas. No século XXI, nunca se falou tanto sobre sexo e sexualidade. Talvez, como diria Luiz Felipe Pondé, até falamos mais de sexo do que o praticamos.

A delimitação de conceitos permite compreender melhor os fenômenos e as práticas. A liberação sexual é uma conduta em que a prática sexual não fica presa a preconceitos, tradicionalismos ou (falsos) moralismos. A partir do momento em que se permite pensar que o sexo é uma atividade natural e prazerosa do ser humano, assim como de praticamente todas as espécies na natureza, e não algo pecaminoso e condenatório, conflitos são evitados e até mesmo a afetividade passa a ser vivida com mais entusiasmo e com profundidade. Diante disso, porém, surgem práticas como o famoso conceito do “poliamor” em que uma mesma pessoa pode ter relacionamento com várias ao mesmo tempo e, se as pessoas estão liberadas sexualmente, sem traumas ou conflitos, passam a praticar o sexo demasiadamente e da forma que lhes convêm. Aumentaram-se também as doenças sexualmente transmissíveis e o número de relacionamentos desfeitos e conturbados da mesma forma.

Liberar-se sexualmente é desprender-se de padrões impostos, mas é também não aceitar qualquer padrão ou prática só porque se pode tudo e vamos gozar, gozar, gozar, eternamente! A libertinagem se confunde com a liberação sexual quando acontece, como temos visto, uma banalização do sexo na mídia, como em telenovelas, e principalmente com o crescimento e operacionalização da indústria pornográfica e das atividades de prostituição.

Para que a sociedade se libere sexualmente, mas não caia no desvario do sexo irracional, não são necessárias somente práticas já estereotipadas como palestras em escolas, valorização dos laços de família, mas do engajamento do ser humano na compreensão dos seus aspectos bio-psico-sociais. Uma ponte importante para essa conquista é a disseminação dos serviços terapêuticos, como os da psicologia, principalmente, para que sejam realmente ofertados como um serviço de saúde básico e não só uma obrigação legal, quando o máximo que se consegue são 15 minutos de uma sessão de terapia por mês. Além disso, a contribuição dos estudos da sexologia que devem ser divulgados na mídia, mas não só como práticas marqueteiras respondendo dúvidas de amigos que mandaram perguntar em programas de auditório, e, sim, divulgando pesquisas, resultados, dados estatísticos e práticas que realmente promovem a verdadeira liberação sexual, que não é, nem nunca será libertinagem.

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