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Os intelectuais Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal, no livro “Felicidade ou morte” (Papirus/7 mares), fazem um diálogo sobre a felicidade, resgatando sua historicidade e suas concepções filosóficas.

Deixando de lado o fato de muitas vezes as discussões tenderem para um viés materialista, o livro contribui para pensarmos, como diz o título, na Felicidade ou na Morte. Dois extremos da vida humana. Ou se está feliz, bem-sucedido, vivendo em boas condições, ou se chega à morte, o fim de tudo (na visão dos autores), ápice de nossa existência e concretização final de todos os nossos projetos, quando o corpo acaba e vira pó.

Para dar conta das reflexões, “Felicidade ou morte” é dividido em cinco capítulos que são: O vazio da felicidade; Ser feliz ou ser livre?; A infelicidade do outro; Felicidade e amor; A felicidade aqui e agora.

Depois de falar sobre o esvaziamento da felicidade, a mudança do conceito nos tempos atuais, que acontece no primeiro capítulo, no segundo, aborda-se a necessidade das escolhas. Diz Clóvis de Barros Filho: “Na vida, não temos como pular a necessidade de dar um encaminhamento a ela a partir de escolhas; escolher é preciso” (p.28). E como é difícil fazer escolhas: “Há, portanto, certo sofrimento no momento da escolha. E a dificuldade em escolher que aumenta quanto maior o número de variáveis de que disponibilizamos para escolher se traduz num sentimento desagradável. O sentimento próprio daquele que percebe que a vida depende da sua escolha e liberdade e não sabe, não tem certeza, do melhor caminho, e fica com medo de se arrepender. E o que é mais incrível: feita a escolha, esse sentimento não desaparece” (p.29).

Como visto, a solução sugerida no livro é diminuir as alternativas. Quando eu diminuo as alternativas, as escolhas são menos dolorosas.

Isso que estamos falando tem a ver com o texto anterior sobre o livro “Sexo e Destino”. Assim é que digo que quando buscamos a felicidade, é ela que traça o nosso destino. Ao mesmo tempo, Karnal coloca que nossas escolhas não são tão livres assim, pois há mecanismos, e aqui uso Foucault, de poder e saber que interferem em nossas escolhas. Concordo com Karnal que diz: “(…) mas a grande escolha não é nossa. (…) Nenhum de nós pode impedir aquilo que é o destino universal e total, que é a morte” (p.34).

Porém, como tratei em outro texto aqui do blog de que “A felicidade é uma escolha”, o que é mostrado no capítulo seguinte, o terceiro, é que muitas vezes a nossa felicidade é a infelicidade do outro. E o mundo é expert nisso. Em massacrar o próximo, em subjugá-lo, quando a verdadeira felicidade, nos ensinou a vida de muitas santas e santos, é eu me renunciar para o bem do próximo, Quão egoísta é a nossa felicidade…

Quando eu diminuo as escolhas, então, e quando começo em mim o movimento de investigar a felicidade, defino-me e marco-me no mundo, diz o livro na voz de Clóvis: “Sendo assim, essa redução das escolhas pode se dar por uma análise, digamos, da acessibilidade das alternativas, da disponibilidade dos recursos, mas ela pode ocorrer também a partir de algo particular que acomete todos nós, que é a construção, no decorrer da vida, de uma espécie de definição de si mesmo” (p.49).

Depois, ainda falam nos Capítulos 4 e 5 sobre felicidade e amor e sobre a felicidade aqui e agora.

Para finalizar, como defino que a felicidade é estado, quanto mais estejamos felizes, mais a chance de dizer: sim, sou feliz!

O que concluo é que a felicidade é uma construção ligada às escolhas, ao outro, à vida em sociedade, ao amor, ou seja, os relacionamentos afetivos e sexuais e a viver o momento presente, o aqui e agora, com consciência, descartando o caos, a tristeza, a angústia, os problemas, as dificuldades para que, assim, naquele momento e sempre: sim, eu sou feliz!

 

REFERÊNCIA:

BARROS FILHO, Clóvis de; KARNAL, Leandro. Felicidade ou morte. Campinas: Papirus 7 Mares, 2016.

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