Há um vazio dentro de minha alma. Há um vazio dentro de sua alma. Há buracos negros que moram em nós. O homem nasce vazio e quando morre também se esvazia. Movimentos diferentes, entretanto. Ao nascer, o homem, na visão espiritualista, não está vazio, traz de sua bagagem em vidas pregressas muito conhecimento e experiências vividas. Porém, é uma nova oportunidade de recomeçar e por isso aos poucos vai enchendo seu saquinho da felicidade, ou da tristeza, a sua caixa de Pandora. Ao morrer, entretanto, é claro que levamos toda nossa bagagem, mas ao chegar, como diria Clarice Lispector, a nossa Hora da Estrela, estaremos zerados, pois tudo que podíamos fazer, fizemos.

Mas como dizia no início do texto, trazemos não só no nascimento ou na morte, mas em todos os momentos de nossa vida, uns mais outros menos, vazios da alma. E como preenchê-los? Para mim, é com a fé. Muitas vezes nos sentimos sozinhos e outras tantas, mesmo acompanhados, esse vazio insiste em persistir, falta alguma coisa.

Como preencher-se? Seria esta (o preenchimento dos vazios) a receita da felicidade? Só há talvez uma maneira de se preencher: é olhar para dentro da alma e ver esses buracos negros. Isso já é meio caminho andado. O segundo passo é colocar Deus em sua vida e sentir-se bem consigo. Quando passamos a respirar ar puro, a estar feliz sem motivo, apenas pelo simples agradecimento a esse mistério que se chama Vida, vamos nos preenchendo.

Outro ponto legal de se olhar é que o preenchimento de nós mesmo não acontece de uma hora para outra, nem assim de repente… Ele vai acontecendo aos pouquinhos. Hoje eu me preencho aqui, e talvez esvazio um pouquinho ali… Há pessoas que põem a felicidade no objetivo de conquistar um par amoroso, que quando conquistarem serão felizes… Só que quando conquistam, continuam se sentindo vazias. Às vezes, esses buracos negros de nossas almas são tão grandes, que fazem no nosso espírito uma verdadeira cratera profunda.

Preencher-se: não há segredo. Estamos sempre em busca. Respiremos! Amemos, sejamos felizes e vamos aos poucos, preenchendo cada buraquinho nosso, porque quando morrermos esvaziaremos tudo de novo e começaremos novo processo de preenchimento. E eu a isso chamo “eternidade”!

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