Começo a ler a página de um livro, alguém liga a TV. Vem uma ideia boa à mente, alguém começa a cantarolar e a fazer sons com os lábios e a língua numa orquestra bucal. Seria bom se a minha cabeça confusa, mas também criativa, emitisse ondas sonoras ou avisos afixados pelas paredes da casa a dizer: silêncio a cabeça confusa (e criativa) está produzindo!

Há muitas pessoas que conseguem criar no barulho, no grito, é até melhor. Se inspiram mais, sentem mais vontade ou tesão quando são imersos no barulho humano. Esta cabeça confusa aqui, não! Precisa de silêncio e introspecção para traçar estas mal escritas linhas.

Entretanto, fez um teste. Acabou de começar a algazarra de um diz aqui, outro canta ali, um assiste à TV e o vizinho ao lado, o sertanejo universitário no último… Foi para o quarto e com os ouvidos atentos na algazarra produziu este texto. Se desafiam esta cabeça maluca, ela também os desafia: irá escrever sempre que um barulho começar, pois esta cabeça confusa e criativa precisa de silêncio, porque já tem muito barulho dentro de si.

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