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Tenho descoberto de uns tempos pra cá, como é gostoso brincar de escrever, brincar com as palavras. E até que tenho jeito para a coisa. Sempre soube que gosto de escrever. Não tinha ainda, entretanto, me encantado com a sedução das palavras. Sabe aquela vontade de sempre por algo no papel, (ou na tela), e marcar pela escrita aquilo que sou, mas ao mesmo tempo numa voz autoral, que não é minha, não é sua, não é de mais ninguém? E sim, da instância criadora. Do magnífico poder de criar, que todos têm. Basta exercitar.

Alguns tecem, outras cozinham, outros consertam, outros cantam, outros dançam, a criação está em tudo na natureza. E somos co-criadores do Criador maior. Escrever para mim é o meu gesto de criação no mundo terreno. É o que posso fazer, e o que um pouco sei fazer. Estou sempre aprendendo, nunca um texto está bom. Quem escreve, sabe como é.

Hoje resolvi, escrever isso aqui, esse pedaço de texto, esse non sense, que nada tem a dizer, mas é uma libertação para mim. Pois de hoje em diante, não vou mais ter o medo de colocar as minhas melhores amigas, as palavras, no papel. Sempre estarei com papel e caneta na mão e como Clarice, vou anotar tudo que me vem à mente. Não quero ter medo de mesmo quando as palavras forem magras, imprecisas e sem nada a acrescentar elas possam verbalizar o sentimento que trago em mim. Para mim, essa brincadeira de escrever é afetuosa e com ela exerço o carinho em todos – amigos e inimigos. Escrever é passar a mão na fronte de todos, através do pensamento, transbordando algo de bom que há em mim e buscar captar aquilo de bom que há no outro.

Escrever é o exercício da alteridade polivalente. Com ela, a escrita, as máscaras caem e significo e simbolizo através do meu dizer. É assim que pretendo também embarcar neste mundo da leitura e ao pouco brindar as (poucas, será?) pessoas que me leem com livros publicados para que se registre na escrita de mim, aquilo que são os rascunhos de mim.