Nossos dizeres são barrocos. O contato com esta frase – “um dizer barroco” – aconteceu por meio do canal do psicanalista Alexandre Simões quando ele diz que o exercício da psicanálise é um dizer barroco, ou seja, no movimento literário de mesmo nome temos o exagero, o rebuscamento, mas as formas imprecisas e grosseiras, o tudo em excesso. É assim que nós, diante do espelho, temos um dizer barroco. Espelho este que é a nossa (in)consciência. Um despertar de nós mesmos que nos coloca plugados em visões surreais de quem somos, do que queremos e para onde vamos.

É dizer barroco reclamarmos de tudo e nunca estarmos satisfeitos com a posição atual que ocupamos. Gritarmos ao mundo em escândalos de falta de paciência, de petulância, prepotência e de falta de enxergar no outro, ouvidos atentos a nos ouvir, a nos servir, sem que ele tenha a ver com a situação, mas calmo e paciente na escuta. Trovador, árcade, barroco, romântico, realista, simbolista ou parnasianista? Perambulamos em cada momento em uma estação, em uma escola literária. Trovamos nossas incongruências e na Arcádia do Eu, romantizamos que tudo seja belo, sublime, bonito, cheiroso, gostoso. Mas no realismo que nos salva, vem a certeza de que estamos com os pés no chão!

Digamos menos, escutemos mais. Falemos mais daquilo que sabemos. Pronunciemos palavras doces: vai dar certo, pode esperar, como está bonita! O mundo está barroco demais! Muito ouro, pouca prata. A prata do saber. Muito carpe diem e pouco fugere urbem. Nunca cortamos as inutilidades no inutilia truncat e nem fazemos da nossa casa um locus amoenus, quanto menos temos uma aurea mediocritas.

Escrevamos para por pra fora esse dizer barroco que está engastalhado goela abaixo. Vomitemos para fora isso que exagera em nós por que na dualidade bem e mal, no pecado ou na virtude está faltando um pouco de nós mesmos.

O que escrevemos não é para se entendido. Quanto mais, compreendido. Pra quê atribuir sempre às coisas essa necessária utilidade, serve para quê, vamos fazer o que com isso? Não façamos nada. Apenas sejamos! Não pensemos em nada! Apenas ajamos! Não procuremos por nada, porque você está aqui. Não se preocupe, pois este é um dizer barroco… (Estamos sentados no divã, na sessão de psicanálise, este é o nosso inconsciente, o surreal).