No capítulo 3 do livro do Eclesiastes, o autor faz uma descrição pormenorizada sobre a metáfora do Tempo. E termina com o versículo que é o título deste texto: há tempo para a guerra e tempo para a paz.

Estamos vivendo tempos de guerra. Porém, creio que virão os tempos de paz. No Brasil, a guerra é ideológica. Após um processo pouco esclarecido de impeachment da presidenta da República, agora temos um presidente que quer acabar com os direitos básicos do cidadão e o principal deles, a educação. Na corrente neoliberalista, o que veremos de agora em diante no Brasil é predominar o capital, a iniciativa privada e o apoio aos grandes empresários e detentores da lucratividade. Tudo isso como suposta justificativa a uma necessidade de sair da crise. O Estado mínimo atua sem fornecer à sociedade aquilo que pode fazer com que ela prospere não financeiramente e materialmente, mas em posicionamento sócio-histórico-ideológico. Ter acesso ao conhecimento, não é só uma necessidade básica, como é o meio pelo qual poderemos todos produzir riquezas. Com a proposta atual de governo, pouquíssimos produzirão riquezas e a grande parcela da sociedade, pobre e excluída, terá que se contentar com as migalhas que caem da mesa do patrão.

Gostaria que aqueles que empunharam uma bandeira em defesa da saída da presidenta e tachando a ela os mais impróprios adjetivos, reconhecesse nesse pouco tempo do novo governo propostas firmes, consistentes e a favor da maioria. Pois o que vi até agora são medidas que atenderão somente a minoria da minoria, quer seja, quem tem o poder nas mãos.

Aqueles que empunharam a bandeira contra, devem estar ricos e milionários… Devem ter o estudo completo, alto poder de críticas, acesso aos bens culturais e que tenha no bojo da sociedade uma inserção que lhe permite interferir nos rumos da nação. Fora destas condições, aqueles que empunharam a bandeira contra, estão completamente alienados e o que é pior enganados, em troca do seu voto.

O que temos agora é uma luta. É o tempo da guerra. Mas infelizmente quem está na frente de batalha é a grande imprensa e para ela não cabe lutar por aquilo que fará termos liberdade e ação. Os que se colocam na luta além dessa frente de batalha, estão suando a camisa, buscando todas as energias possíveis para não entregar a luta, mas está difícil.

Qual será o fim disso? Não sei! Desanimador e desencorajador. Estamos em cima do muro, assim “como aquele garoto que ia mudar o mundo e assiste agora a tudo em cima do muro”. Por favor, deixem eu ter a minha ideologia. Por favor, devolvam a minha ideologia, porque ela está sendo vilipendiada. Por favor, a todos e a todas (hoje digo assim), não entreguem a bandeira. O que você pode fazer? Façam! Façam! Façam! Em tempos de guerra, nunca pare de lutar (como já parafraseei uma canção evangélica em outro texto).