Fotografias. Nudes. Vídeos. YouTube. Netflix. Novas ferramentas do design. Memes. Virais. Posts com imagens escandalosas, sarcásticas, em forma de protesto, muitas vezes fúteis… Vivemos uma ditadura da imagem? Ao mesmo tempo em que vivemos essa ditadura, até que ponto estas imagens transmitidas são a realidade? Imagem e realidade andam juntas? Existe a realidade, propriamente dita? Questões. Coloquemo-las em debate.

O que é a imagem? Em sentido amplo, é a representação de algo por meio de recursos da visão. Mas a imagem eu chamaria do virtú ou virtualidade, representação criada mentalmente sobre algo. Por exemplo, qual a imagem que temos de Deus?

O que é a realidade? Difícil dizer. No sentido amplo, poderia ser a construção social e histórica de nossos hábitos e atitudes no decorrer de nossa vida terrena.

A imagem, aqui tomada como fotografias, vídeos e outros, não transmite muitas vezes a realidade. Hoje postamos de tudo um pouco nas redes sociais. Já percebeu que ali estamos sempre felizes? Nunca tristes. Ninguém posta infelicidade.

Outro ponto interessante é que são colocadas máscaras, maquiagens, ofuscamentos da realidade. Isso é feito em demasia pelo marketing. Transmitem-se imagens criadas, campanhas publicitárias, onde há um tratamento da ideologia que se quer apregoar. É preciso perguntar se a imagem a que eu estou tendo acesso revela realmente o posicionamento verdadeiro daquele que a veicula. O que mais temos são pessoas e instituições transmitindo imagens que não condizem com sua atuação na prática.

Por fim, quero ressaltar que não existe uma realidade concreta, bem definida, rotulada e moldada. Porém, nem tudo é imagem, nem tudo é mascaramento, ilusão. Deve-se contrabalancear – nem lá, nem cá. O mais interessante seria que nossos virtús fossem ao encontro daquilo que apregoamos. E ao mesmo tempo, as virtualidades que nos chegam, como ideias, projetos, pensamentos, possam se concretizar em feitos que marquem uma atuação engajada e cidadã em nossa trajetória de vivência. Imagem e realidade, portanto, trajetórias do discurso.