A revista Veja do dia 19 de setembro de 2001 traz em sua capa o título: “O império vulnerável”. Tenho-a guardada na minha hemeroteca particular. E trago de lá este Museu Virtual da Notícia que transpõe para o espaço virtual, aquilo que colecionei no impresso, relembrando a memória da notícia que circulou. É bom ter no papel o registro da história. Olhar para o impresso e perceber que as letras ali gravadas, gravam também o movimento de vidas, nações, do mundo inteiro…

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Capa da Revista Veja de 19/08/2001

“Este mundo nunca mais será o mesmo”, trazia a manchete da reportagem no recheio da revista. Em contraponto, tenho o recorte do jornal local Folha da Manhã em que familiares de pessoas que estavam nos Estados Unidos no dia dos atentados – 11 de setembro de 2001 – falavam o que tinham observado das conversas via telefone com os parentes. “Minha filha disse que Manhattan parece uma praça de guerra. Os norte-americanos estão se sentido traídos. A potência se mostrou vulnerável”. Carlos Parada, que na época morava nos Estados Unidos mandou um relato para a Folha dizendo que “o inimigo estava no ar, espalhando o medo em todos os EUA”.

O mundo nunca mais foi o medo. O que parecia algo tão cruel e devastador, parece que nos últimos anos tornou-se “comum” (ratifico, entre aspas). Todos os anos, nos mais variados países, tem acontecido atentados terroristas. Não é mais só o império que está vulnerável. Vários impérios estão vulneráveis. Ou nem precisa ser império. O que mais há são regiões paupérrimas vítimas do terror, da destruição, da violência física que advém da violência ideológica.

As reportagens que circularam por ocasião do 11 de setembro, mostraram os EUA como potência consolidada, poderio jamais abalado, e isso me incomoda bastante fazendo a releitura neste Museu Virtual Noticioso. Por que se falou tanto no poderio, na economia e na política? O que precisamos é da paz mundial e da igualdade entre nações e não poderios na mão de superpotência. Vidas foram ceifadas, interrompidas, o sangue derramou-se… Em 2016, estamos ainda isentos desse derramamento de sangue? O homem ainda quer pagar o mal com o mal. Jamais com o bem. Enquanto isso acontecer, estaremos aterrorizados todos os dias, e propensos a ser vítimas dos atos para lá de violentos do terror. Fico me perguntando como surgiu a loucura, o fanatismo e o combate ao poder com um contra-poder violento, torturante e degradante dos terroristas, dos homens-bomba, dos religiosos fanáticos. Vejo no Capital, talvez respostas para pensarmos como ele surgiu. Travestido de religiosismo fanático, ele surge com a alienação e degradação do homem perante a montanha de ouro, dinheiro e poder coercitivo acumulado em um único país que governa o mundo. O império continua vulnerável. O inimigo está no ar. O medo está espalhado em todos, em todos os países. Só que a vulnerabilidade do império se blinda, com mecanismos de domínio da ideologia que se faz suprema em nosso seio social.

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