“Terá que fazer”, foi o que eu ouvi da médica saindo dali com o telefone da Natália, que era mãe da Gabriela, amiga da minha irmã…

Passada algumas semanas lá estava eu indo visitar Natália. A sala era pequena, mas era bastante colorida. Um cheirinho de baunilha se exalava no local… Dava um tom gostoso, a energia daquele lugar me agradou. Natália se sentava em uma poltrona e logo à frente tinha um sofá de dois lugares onde eu me sentei. O sotaque português, o relógio de macaquinho roxo num móvel ao lado e depois de algumas semanas fui descobrir que Natália jogava paciência no computador antes de eu chegar…

Comecei assim muito eufórico, falava, falava coisas sem sentido… Às vezes chorei, às vezes estava nervoso e nem queria falar… Mas ela sabia conduzir e aos poucos me roubava uma palavra ou até mesmo um sorriso. Dali foi um ano, dois, três… Quando eu estava no segundo ano da faculdade de Jornalismo foi que aconteceu o nosso encontro. Depois vieram o estágio e os namoricos de um ainda adolescente… As dúvidas, as angústias, as brigas na família devido ao meu temperamento forte… De repente eu estava me formando. E logo trabalhando, e logo largando do trabalho e logo querendo fazer Mestrado… Foi Natália que disse: “yes!” quando eu conquistei algumas aulas na faculdade, pena que durou pouco por questões, digamos, sócio-políticas.

Era Natália que dizia: “Ai Danilo, você é funny” quando eu contava minhas loucuras a ela ou quando eu ficava bravo com ela, quando às vezes ela também dizia: “Não se irrite!”, meio parecido com a voz do Chaves puxando o sotaque bem carregado no Português. Natália estava lá quando eu passei no concurso, mas não fui chamado, pois na verdade passei em segundo lugar. Mas foi ela quem sempre disse: vão te chamar, espere só para você ver. Foi ela que vibrou comigo na conquista do Doutorado e mais uma vez predisse: “já passou!” Depois de algum tempo as sessões ocorriam em sua casa, mas numa sala apropriada para isso é óbvio. Dessa fase acentuou-se o cheiro do perfume Angel que Natália usava…

Trouxe para mim dos Estados Unidos, onde moram suas filhas, um Snoopy vestido de coelho e uma ovelhinha negra. Por que será? Eu levava a ela livros e pra falar verdade dei poucos presentes a ela… Queria ter dado mais…

E foi assim que foram acentuando nossos encontros… e chegamos ao hoje. Hoje, já são 10 anos que estou com ela. Me afastei somente um. Só que agora é hora dela ficar pertinho das filhas nos Estados Unidos e acho que em breve se tornará uma cidadã norte-americana. Bom ou mau? Não sei! Sei que ela estará feliz. Em breve o avião estará partindo e sei que em sua mala vai estar o meu cartão onde digo que na vida existem encontros e despedidas, mas que nosso encontro não tem despedida e sim, um até logo! Até logo que eu não poderia deixar de registrar aqui no blog. Pois foi ela uma das fiéis incentivadoras desse meu projeto e uma vez até comprou um anúncio numa das minhas ambições malucas, insights de bipolaridade. Escrevi também um obrigado, eternamente grato, por me orientar na busca de conhecer a mim mesmo. Estaremos sempre juntos, mesmo que em novos ares, ou em outras trajetórias. Natália foi e sempre será minha Psicóloga-(amiga). See you Naty, I’ll go to visit in USA.

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