Esta semana morreu um dos maiores jornalistas brasileiros contemporâneos Geneton Moraes Neto. Foi dele que eu tirei a palavra para intitular esse texto: “espanto”. Jornalista tem que se espantar. Mas Geneton, ao mesmo tempo, era Global… E aí a coisa já se complica um pouco. Mas o texto não é para falar dele ou do jornalismo, mas para falar do meu espanto político e de um espanto que deveria ser de todos.

Ontem, 31 de agosto de 2016, a presidenta Dilma Rousseff foi julgada e sofreu o impeachment. A votação no Senado se dividiu em duas. Em um primeiro momento votaram a favor do impeachment e num segundo, votaram para que a presidenta não perdesse seus direitos políticos. Temos que refletir. Se houve impeachment a presidenta tem que necessariamente perder seus direitos políticos. Então quer dizer que o que tivemos ontem foi um impedimento pela metade. Isso configura o que chamamos de golpe.

Não quero fazer conjecturas partidárias e discutir política como os alienados de Facebook fazem. O que quero é espantar politicamente. Na minha juventude eu pouco me interessava por política. Hoje vejo o tempo que perdi. Sempre achava política coisa chata e ia percebendo meus pais anularem o voto e dizerem que todos são corruptos. Hoje percebo que precisamos ler, reler, analisar a mídia e espantar-se politicamente.

Um governo que vem sob o mote do neoliberalismo. O que podemos esperar? Sucateamento da educação novamente. Direito à educação somente para poucos. Saúde? É melhor que os fracos morram, pois não produzem riquezas. O Brasil estava indo na direção do desenvolvimento social. Muito se avançou em qualidade de vida e infraestrutura para todos, não só para os pobres. Todos foram beneficiados nesses anos do governo do PT. Mas o problema é o partido e então correu pela internet e pelas diversas mídias os fracassos do partido, o que fez e não fez nos 13 anos de governo.

Não há mais o que dizer. Precisamos viver a política. Eu estou disposto à luta, para que possamos nos unir a diversos jornais internacionais, ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e a todos que estão dizendo: foi sim um GOLPE. Quando lia a história da ditadura e de todo percurso político que o Brasil viveu, ficava imaginando como foi na época, pelo fato de eu não ter vivenciado por nem ter nascido ou ser pequeno demais. Hoje eu vi tudo e estou espantado!

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