Tive acesso a uma matéria bem pessimista, mas um tanto realista, veiculada no site do Observatório da Imprensa, assinada por Lúcio Carvalho, e que se encontra no link http://observatoriodaimprensa.com.br/tendencias/gamificacao-e-o-futuro-da-leitura/, cujo título é a gamificação e o futuro da leitura.

A leitura já passou por supostas várias outras crises. Lúcio Carvalho tece uma crítica forte dizendo que a Literatura num futuro bem próximo não terá vez, pois os nativos digitais de então querem games, coisas resumidas, textos móveis e fluidos e não têm os olhares voltados para a profundidade de um texto literário. Concordo que a coisa está feia. Porém, não podemos perder as esperanças.

Existe uma forte tendência a uma “pedagogia do prazer” ou para tirar as papas da língua, uma “pedagogia do gostoso”. Aprender tem que ser gostoso. Tem que gerar prazer. As didáticas e as metodologias têm que atender o aluno de forma que ele se sinta motivado para aprender. Discurso tão fraco e tão capitalista como é o consumismo cultural. Hoje, o que quer a grande indústria cultural é gerar seres que comprem porcarias tecnológicas. Para mim, estudar nunca foi e nunca será diferente. É preciso sentar, ou mesmo que em pé, ter um minuto de concentração, embarcar na leitura, focar naquilo que se quer aprender. Mesmo para quem vai aprender Matemática ou Física, precisa ler e interpretar a questão. Só vejo a busca do conhecimento dessa forma. As tecnologias podem oferecer um plus, mas mesmo assim é preciso estes mesmos procedimentos.

Agora não creio que a Literatura está chegando ao seu fim. Até porque pode-se utilizar esses recursos para chegar aos livros de papel e também estimular o jovem a buscar literatura, textos profundos e críticos. Parece-me também que estamos chegando ao último degrau da tecnologia, do avanço material do planeta. Chegará um tempo em que não se terá mais o que criar. Vamos valorizar a prática convencional, a leitura silenciosa, concentrada e vamos ter que sofrer para aprender.

Disseram-me: aquele que ganha uma competição, é um atleta, teve dias, meses, anos de preparo, foi o primeiro e o último a sair da quadra, teve que se desdobrar e por isso venceu. Nenhuma conquista é sem esforço. Precisamos parar de jogar e lutar. Enquanto eu só busco a satisfação nos jogos, nos aparatos tecnológicos, nos textos resumidos e maleáveis, há seres políticos que estão pensando por mim e tomando as decisões que levam aos rumos do país e do mundo. Somos massas de manobra quando estamos apenas ocupados em caçar Pokémons. Sejamos mais ativos e participativos e de olhos bem abertos para que não decidam por nós o que é nosso. Para que tenhamos o veio profundo do saber profundo!

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