Por várias vezes o tema “adoção” esteve presente na minha caminhada jornalística. Na tentativa de revisitar as pautas que já executei, falemos sobre a adoção.

Leda guarda com carinho as fotos das crianças que ajudou com o trabalho de família de apoio. Foram cerca de 50 meninos e meninas que ficaram com ela até o processo de adoção ser concluído. Para ela uma forma de poder colaborar com as crianças no exercício da afetividade. Adoção é uma fertilidade afetiva. São muitos os casos em que uma família ou pessoas (pois sim, solteiros e também casais homossexuais podem adotar) optam pela adoção.

O Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: toda criança ou adolescente tem direito de ser criado e educado no seio da família, ainda que seja uma família substituta. Na comarca de Passos estão cadastradas cerca de 300 famílias interessadas em ter um filho adotivo. São muitos os casos em que as crianças são deixadas para a adoção. Falta de estrutura familiar, condições financeiras ruins ou mesmo situações em que a criança é exposta a maus tratos.

A vontade de adotar uma criança sempre fez parte da vida de Margarida. Um sonho que se concretizou com a chegada de Wilson e Pâmela. Na oportunidade da reportagem há cerca de 10 anos, Margarida me contou que foi para a adoção, com o pensamento de todo mundo: adotar um bebezinho, do sexo feminino de olhos claros e pele clara. Mas nos percursos pelos abrigos conheceu Wilson e Pâmela, um casal de irmãos que na época tinha 13 e 7 anos, mais ou menos. Hojem devem estar moços! A educadora tem mais três filhos biológicos e a decisão foi tomada em família. Era um desejo da família. Esse é um ponto muito importante, pois adotar não pode ser uma opção inpensada e também um paliativo para outros problemas da vida. Muitas pessoas bucam uma criança porque se sentem sozinhas ou então quando são casais, no intuito de resolver os problemas de infertilidade. A adoção deve ser escolhida como uma das formas de se constituir uma família. Também não é caridade.

Outra família que conheci foi a de Elder Cardoso e Mirla que são pais biológicos do Gabriel e da Gabriela e adotaram Matheus. Também um caso de adoção tardia. Geralmente as crianças que passam dos 3 anos de idade começam a ter dificuldade para encontrar um lar. A adoção tardia é quando a criança já é maiorzinha. Ter poucas restrições é o passo mais fácil para conseguir avançar na fila de espera para a adoção. Os preconceitos infelizmente atrapalham as decisões das famílias.

Estou certo de que adotar é um ato de amor. Mas é uma questão complexa e que precisa ser tratada com todo cuidado. Penso talvez em um dia adotar uma criança. Para isso, entretanto, tenho que ainda me estruturar financeiramente, afetivamente e emocionalmente. E você já pensou em adotar?

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