Terminei o tratamento da acne há um ano e meio mais ou menos com uma médica que eu pagava a consulta. Ela dava um bom desconto no valor e pelo fato de no meu plano de saúde não ter médicos dermatologistas competentes, só existia um que não me agradava nem um pouco sua prática profissional, fui nessa médica particular. Um amor de pessoa. Atenciosa, carismática, alto-astral. Depois que ela me liberou do tratamento, pediu que eu voltasse lá depois de um ano para a manutenção. Há pouco mais de um ano, já estava com o prazo vencido e eis que me surge uma pinta inflamada na região do pescoço. Preciso procurar uma dermatologista urgente!

No meu plano surgiu uma médica nova! Opa! Vou tentar! Não vou pagar a consulta! E fui! Que decepção! Médica carrancuda, com ares de patricinha. Mal-humorada. Examinou-me muito superficialmente e disse: vamos tirar essa pinta, é isso e isso… No que eu perguntei: mas precisa tirar? É caso de tirar? Corro algum risco se não fizer o procedimento? Por exemplo, virar um câncer? E ela disse apenas: ah, está te incomodando, vamos tirar.

Como ter confiança num profissional assim? Que não justifica sua prática. Entendo a relação médico-paciente um tanto complexa e que deve ser pautada na confiança. Percebi que ao fundo da sua mesa, no seu consultário, tinha vários livros de dermatologia. Legal! É uma pessoa estudiosa! Mas nada vale o conhecimento se ele não for colocado em prática e com carisma! A outra médica que citei anteriormente, não tinha muitos livros no seu consultório. Porém, me passou confiança e não foi o seu canudo ou seu anel que me fizeram tê-la. Foi o contrato que ela estabeleceu comigo. A relação que ela procurou construir, e eu também. Houve um dia em que eu estava saindo do banco com minha irmã e nem estava avistando essa doutora. De repente, de longe ela me chamou, me cumprimentou, novamente super carismática.

Não estou pedindo beijinhos no rosto, nem melação… Mas médico trabalha com ser-humano. Estou ali pra consultar da pele, mas trago em mim todo um histórico. Sou um ser bio-psico-social, como já falei em outro texto. O médico vai olhar o bio, mas precisa ver como está o psicológico do paciente e em que contexto social ele se insere.

Com aquele carranca? Afastou-me de lá, correndo! Médicos: botem um sorriso no rosto, amor pela profissão e aí sim, diploma na mão. Está acabando a leva dos médicos antigos. Estudiosos, compenetrados e extremamente responsáveis. O que seremos de nós a partir de agora com esses pseudo-doutores por aí? Pelos menos desfaça a carranca!

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