Expostos aos “contatos facilitados” pela tecnologia eletrônica, perdemos a habilidade de nos engajar em interações espontâneas com pessoas reais. Na verdade, ficamos com vergonha dos contatos frente a frente. Tendemos a pegar os celulares e apertar furiosamente as suas teclas e escrever mensagens a fim de escaparmos de ser transformados em reféns do destino – no intuito de escaparmos de interações complexas, confusas, imprevisíveis, difíceis de interromper e de abandonar com as “pessoas reais” que estão fisicamente à nossa volta. (BAUMAN, 2010, p.101)

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A citação acima é de Zygmunt Bauman em seu livro Identidade, entrevista concedida a Benedetto Vechi. O que falar do amor nos dias de hoje? É possível perceber a propagação de diversas ideias, como a ideia do “poliamor” – amar e se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo. Laços frouxos ou mudanças de paradigmas? O fato é que as pessoas têm sofrido as dores do amor. Como se relacionar? Lauro é casado há 15 anos com Tatiana. Nesse percurso já se separaram diversas vezes, ele já a agrediu, já teve até polícia no meio. Chegaram a se separar no papel. Mas depois de muitos desencontros, ainda estão juntos. Longe de Tatiana, Lauro não consegue se equilibrar profissionalmente. Tatiana é bem mais velha que Lauro. No começo o sexo entre os dois era tudo de bom. Agora parece que não há mais o fogo da paixão e Lauro tem procurado relações extraconjugais. Moram na mesma casa, mas há meses que não praticam sexo. Estão juntos, mas desjuntados.

É comum esse tipo de relação. O sexo não é a única coisa importante numa relação. Porém é preciso o entrosamento de ideias, desejos, paixões… Muitas vezes, por regras sociais se mantém casamentos, namoros para que não se fique sozinho. Com o advento da tecnologia o medo de ficar sozinho é ainda maior e por isso dos dedos presos às telas de smartphones acaba-se com o medo da solidão mas cria-se um vazio ainda amor. Amar é complexo. É sempre líquido até que se solidifique. Mesmo quando se torna um sólido é preciso um pouco de maleabilidade para poder levar a vida a dois. O líquido amor é esse amor que está aí nos dias de hoje: amor sem porquê, amor do nada, amor a nada… Vamos nos conhecer, vamor ver quem somos, amarmo-nos para sermos amados.

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