Na minha vida de jornalista em alguns momentos fui pautado com o tema da AIDS para produzir reportagens. Como o blog tem também a sua utilidade pública, precisamos falar deste assunto. Infelizmente, de acordo com dados apresentados na Conferência Internacional de AIDS, que ocorreu entre 18 e 22 de julho em Durban, na África do Sul, organizada pelo UNAIDS, programa da ONU de combate à epidemia de AIDS, cerca de 2,5 milhões de pessoas são infectadas por ano pelo HIV. No Brasil, aproxima-se de 610 mil a 1 milhão de pessoas vivendo com o vírus. Por outro lado, o aumento nos casos também se deve à maior procura pela realização de exames, resultado de campanhas de prevenção em todo o mundo.

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Existe nos postos de saúde e em ambulatórios gerais ou especializados na prevenção e tratamento da AIDS, o teste rápido, que tem uma eficácia comprovada. O exame é muito importante porque quando descoberta a tempo a doença tem controle. O trabalho destas instituições de saúde é sigiloso e somente acontece com a procura espontânea da pessoa.

Quando se fala de prevenção não existe idade certa. Quanto mais cedo ela começa, melhores são os resultados. Os adolescentes são um dos focos do trabalho na prevenção do HIV. É preciso deixar os tabus de lado e abordar a temática de forma tranquila, tanto em casa, quanto nas escolas, por pais e profissionais capacitados. A vida sexual tem iniciado de forma mais precoce. A afetividade e a sexualidade devem ser trabalhadas com atenção, já que são fatores de extrema importância para a qualidade de vida.

O comportamento de risco ainda é a maior preocupação das entidades de saúde. Todos os anos são realizadas campanhas de conscientização para alertar sobre a importância do uso de preservativos. Mesmo assim, muitas pessoas ignoram o uso. Um dos jovens entrevistados na minha reportagem contou que teve um filho depois de contrair o vírus da AIDS e que a mãe da criança sabia que ele era portador. A resistência ao uso do preservativo também é grande em pessoas com idade acima de 50 anos.

Por outro lado, aqueles que se previnem podem ter uma vida tranquila e saudável. Uma das jovens entrevistadas disse que não estava contaminada, mas namorava um portador do vírus HIV e,  através de cuidados especiais, mantinha o relacionamento.

O medo e a ignorância são os principais dificultadores no que diz respeito à AIDS. O comportamento liberal e pensar que nunca vai acontecer faz com que as pessoas, principalmente os homens deixem de usar o preservativo nas relações sexuais. Outro grande medo é de fazer o exame, o que posterga o início do tratamento e pode trazer prejuízos ao paciente.

Há algum tempo a AIDS era uma doença que causava exclusão e discriminação. Muitos grupos eram taxados como grupos de risco, como é o caso dos homossexuais. Hoje, não se fala mais em grupos de risco, mas sim em comportamento de risco. A doença está disseminada na sociedade, não importando classe social, cor ou sexo. É preciso sempre falar destes assuntos e procurar tirar os estigmas que o cercam para que tenhamos uma saúde pública de qualidade.

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