Fazia tempo que eu não lia tanta literatura como optei por fazer nestes dias das férias escolares. Entro de férias do trabalho somente dia 25, mas como trabalho numa escola, o gostinho de tranquilidade já impera em nós. Assim aproveito estes momentos de tranquilidade para pôr as leituras em dia. E tenho lido muito mais nesses dias do que durante o ano todo. Peguei o pique novamente e quero mantê-lo sempre que possível.

jorge 100 anos amado

Uma das leituras que caíram nas minhas mãos há exatamente 2 anos, foi o livro “Jorge 100 anos Amado: tributo a um eterno menino grapiúna”, de Daniel Thame. Quando recebi de presente este livro pensei que fosse uma biografia de Jorge Amado, ou apenas comentários sobre sua vida. Eis que me deparo na leitura com um texto interessante. São contos escritos por Daniel Thame, que são uma releitura dos personagens da obra de Jorge Amado ressignificados nos dias de hoje.

Assim, para Tieta, temos Lieta, uma caliente moça que vira santa por depois de seduzir o homem que possuía sabe, aquilo muito grande, fica impotente sexual. Quando Lieta morre, todos passam a rezar para ela pedindo a cura do sujeito e eis que surge… Mas… Ao final… Pilulazinhas azuis sabe?

Gabriela Cravo e Canela é Manuela Suor e Poeira. Tem ainda os Capitães da Areia, que ao final conseguem conquistar uma garota de classe média alta.

Muita gente pode dizer que a escrita de Thame tende à falta de originalidade. Não é o que eu vejo, pois é nítido e frisado com todas as letras de que se trata de um tributo, um presente, ou seja, uma homenagem à Jorge Amado. Feito inclusive com muito bom gosto. Diverti-me lendo o livro. É engraçado e pornográfico ao mesmo tempo, bem no estilo Amado. Porém, é crítica social, denúncia e ativismo político-social e cumpre muito bem o seu papel. Fantástico!

Jorge, em mais de 100 anos, sempre amado. Criticado, polemizado, porém registrado, fixado, memorizado e encantado nas palavras que descrevem o nosso Brasil.