No último sábado fui assistir ao filme “Como eu era antes de você”, uma adaptação para o cinema da própria autora do livro homônimo Jojo Moyes. O filme é um tanto polêmico. Conta a história de um rico empresário que tinha uma vida ativa e praticava diversos esportes radicais e que sofre um trágico acidente, sendo atingido por uma moto e fica tetraplégico. Will entra numa forte depressão que terá seu fim com a contratação de Louisa Clark uma jovem irreverente e brega, diga-se de passagem, para cuidar dele. Louisa consegue promover diversas mudanças no humor de Will, mas ele é irredutível e irá para o suicídio assistido na Suíça para acabar com todo seu sofrimento, pois não é vida, para ele, o que ele leva.

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A questão é um tanto polêmica, pois há estudos que mostram que, incentivadas por dramaturgias, pessoas cometem atos mais atrozes. Um filme um tanto materialista neste sentido, pois não se dá valor a vida, e coloca-se que o ser humano pode decidir seu destino e que é autossuficiente, descartável, a morte como o fim de tudo.

Outro ponto que me chamou a atenção é o cinema inteiro em lágrimas (e eu não consigo derramar uma sequer com este tipo de conteúdo, assim como ocorreu em “A culpa é das estrelas”, também já resenhado aqui). A plateia, composta em sua maioria por adolescentes, parece revelar um apreço dos jovens pelo amor sofrível e impossível. É o mesmo conto de fadas sempre ressignificado e remodelado. O que se quer é o amor nas alturas. A idealização perfeita do amor. E o que aprendemos com isso é que nossos amores reais são a cada dia mais sofríveis, pois são baseados neste tipo de relacionamento que não existe no dia a dia. Todas as dores de amor só estão aí ainda tão operantes e cada vez mais piores e em maior número, porque nos baseamos nesta utopia e quimera de perfeição na vida a dois, estigmatizada pelas novelas e filmes do padrão Hollywood. Se a gente aprendesse que o amor é feito de dificuldades, de alteridade, que não é possível controlar tudo, que desafios e ventos tenebrosos sempre aparecem em qualquer relação humana teríamos sucesso em nossas relações.

Quando escrevi a resenha de “A culpa é das estrelas”, disse que prezava por mais filmes como aqueles. Agora vendo o resultado que deu esses amores sofríveis, vejo que é preciso mudar o discurso e não prezar mais por este tipo de filme, pois eles não levam a nada (e o pior ainda podem “levar” ao suicídio). É claro que é um dizer extremo, mas no mínimo este tipo de filme gera uma energia negativa e uma deprê ou baixo astral. Portanto, que o realismo prepondere, e que os excessos de romantismo sejam combatidos veemente. Para não ficar somente na crítica negativa, digo que o filme tem de positivo belas imagens, trilhas sonoras, fotografia e reflexões que mesmo difíceis são pertinentes.

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