Hoje inicio mais uma vez com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, em seu livro “Identidade: entrevista a Benedeto Vecchi”… Diz assim sobre a identidade: “mas também a percepção de que não está ao alcance dos seres humanos apreender, entender, assimilar mentalmente o impressionante poder que se manifesta na simples grandiosidade do universo” (p.78). Essa é uma verdade tão simples, mas ao mesmo tempo tão esquecida. Não está no poder humano compreender a grandeza do universo.

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Temos na expressão “o impressionante poder que se manifesta na simples grandiosidade do universo”, um paradoxo, pois se o universo é simples, ele não é grandioso e vice-versa. Aqui é a “simples grandiosidade”. Ou seja, o universo é algo de uma inteligência superior e por isso é simples, mas, ao mesmo tempo, escapa aos sentidos humanos, por isso é grandioso.

Deixando de lado o jogo com a linguagem, é preciso perceber quando nos desanimamos de que há algo superior a todos nós e que o universo não para só para que possamos dar vazão aos nossos arroubos de arrogância, prepotência, orgulho e vaidade. Rubem Alves em uma crônica sobre a existência de Deus, faz um debate com seus leitores que o intitulam de ateu e ele apenas diz que sua forma de compreender Deus é diferente. Pois para ele, Deus não dá a mínima atenção para nossa pequenez, ou seja, para nossas lamúrias, reclamações, ele está sempre em movimento fazendo o universo existir. Concordo e discordo. Mas o fato de perceber que o universo é vasto e que somos parcelas pequenas que se unem a outras, somos átomos e mais átomos que juntos formam moléculas, é importante.

Plínio Oliveira, um músico curitibano que se intitula o “cantor da paz”, e trata em suas letras de temas da espiritualidade humana sem nenhuma conotação sectarista ou religiosa, fala em uma de suas músicas sobre o amor: “Quem ama enxerga esse mundo bem de outro jeito” e em outro “A gente se engana e esquece o que é mais importante, e não vê que o universo é maior que esse instante”. Universo poderíamos dizer que é um só verso, um único verso, completo, poético. Único mas polissêmico, em múltiplas direções, em múltiplos caminhos e em diversos sentidos. Escrever o verso do universo é somar todas as possibilidades, mas todas mesmo! O bem e o mal, a vida e a morte, o presente e o passado. Como é bonito compreender essa dinâmica! Algo que é eterno! Algo que nem é algo, porque não é coisa! Compreender que existir sempre é a regra fundamental do Universo: a simples grandiosidade do universo.

Por isso, o que quero dizer aqui hoje é que se você está triste, deprimido, em qualquer situação difícil que se encontre… Olhe para o céu. De preferência à noite. Veja a menor das estrelas e meça a distância entre você e ela. Não conseguirá, é claro. Então imagine onde ela possa realmente estar. Que a visão que se tem dela é apenas algo virtual, não tão real assim. E pense que você poderia estar lá nesta estrela ou que poderia ser a própria estrela. Pois no universo as possibilidades são múltiplas. E aí compreenderá sua pequenez, compreenderá a grandeza do universo e verá que sua vida tem sentido! É grande! É única e faz parte do universo! É um verso do universo, porque somos pequenos, porém únicos, diante da simples grandiosidade do universo.

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