Um dia uma amiga me disse que não gosta dessas conversas em sala de espera de médico, fila de banco etc. Já eu adoro. Outro dia fui ao meu oftalmologista, mas não fui consultar. Fui levar minha irmã. Lá em casa é assim, sempre que um vai fazer o exame de vistas que tem a dilatação da pupila um leva o outro, pois depois não conseguimos dirigir e não sei se é porque ao usar lente ficamos com as vistas bem ruim mesmo. Se está de sol, nem conseguimos abrir os olhos.

convivência

Neste consultório eu fiz uma amizade com a secretária. Helena, ou a Lena para os íntimos, sempre manteve um relacionamento de amizade comigo. Tanto que o filho dela chama Danilo. É claro que não é só por causa de mim, mas segundo ela na hora de escolher levou bastante em consideração a pessoa que eu era e nossa amizade.

Esse texto não é pra falar de consultório de médico e de todas as conversas que rolam por lá. Mas refletir sobre a convivência. Num mundo em que as pessoas se conectam por gigabytes, redes sociais, whatsapp pra cá, zap zap pra lá tornou-se pouco comum a gente conversar e conviver com as pessoas que nos são caras e também com aquelas que nada tem a ver com a gente. Falta gentileza de um bom dia, uma palavra amiga quando a maioria está com o dedinho na tela do smartphone.

O ser humano precisa conviver. As conversas diárias, aquelas mais triviais que nada têm de especial e que falam sobre os assuntos do dia a dia, geram sinergia, simpatia e unem as pessoas na conquista de ações melhores.

Outro dia escrevi aqui que os assuntos parecem ser sempre os mesmos. Que as pessoas tem reclamado muito. Que os assuntos não se modificam: uma hora é a queda de Dilma, a crise, reclama daqui, reclama de lá. Muitas vezes, porém, as reclamações estão demais porque as pessoas se angustiam nas zonas de solidão que se criam. Querem falar e na primeira oportunidade que encontram, falam tudo que têm vontade.

É preciso conviver mais e se isolar menos. Já falei aqui também sobre os conflitos da convivência. É claro que em todo grupo social há os embates, os dilemas, as dificuldades encontradas nas interações sociais. Só que nessas interações reais, falamos, discutimos, brigamos, e voltamos a sorrir. Abraçamos, damos as mãos, ajudamos numa coisinha aqui, noutra acolá. E assim não há mal-entendidos em excesso. Não há hifens suprimidos, vírgulas foras do lugar, expressões faciais imaginadas e não sentidas. É uma dádiva a convivência. É o motivo pelo qual fomos criados. Somos seres gregários que precisa do outro para se constituir.