Danilo Vizibeli

danilovizibeli@gmail.com

Não é a primeira vez que o tema aparece por aqui. Aliás, ele está sempre presente. Escrever é dar voz ao sujeito. E aqui no Espaço da Gente dou voz a mim mesmo e falo o que penso. E nesse trajeto, vez por outra nos bate a questão da identidade e de sua construção ou desconstrução. Dessa vez, o mote foi a leitura do livro “Identidade”, de Zygmunt Bauman, que na verdade é uma entrevista dada pelo autor a Benedetto Vechi. Uma oportunidade em que falei da identidade e que o texto me marcou foi na pequena resenha do filme “O Palhaço”, do conterrâneo Selton Mello (https://danvizi.wordpress.com/2011/11/15/o-palhaco-identidade-valores-e-a-busca-de-si/).

Identidade

Para falar de identidade recorro às perguntas “Quem sou eu”, “Quem é você”. Conceito tão difundido na atualidade e tão controverso ao mesmo tempo. Identidade é aquilo que define o sujeito no trajeto de suas escolhas, inclinações político-sociais, movimento inerente do ser humano na busca de dizer-se quem se é e assumir posições no cotidiano da vida. A reformulação do conceito de Identidade em Bauman está no fato de que com sua metáfora da “modernidade líquida” temos na atualidade não uma identidade fixa, estável, sólida, mas uma identidade cambiante, que está em eterno processo de reformulação. “O recurso à identidade deveria ser considerado um processo contínuo de redefinir-se e de inventar e reinventar a sua própria história” (BAUMAN, 2005, p.13).

O que nos faz pensar na identidade e na sua busca por expressá-la ou defini-la surge devido à dinâmica do mundo moderno, com as interações tecnológicas, em que há um movimento maior do sujeito e marcas maiores de heterogeneidade. Pode-se assumir várias identidades. E os questionamentos sobre o tema só surgem porque há também a negação, só penso naquilo que sou, porque em outros pontos não sou. “Afinal de contas, perguntar “quem você é” só faz sentido se você acredita que possa ser outra coisa além de você mesmo; só se você tem uma escolha, e só se o que você escolhe depende de você” […] (idem, p.25).

Com o derretimento dos sólidos e a liquefação da modernidade, dos valores, dos conceitos, das certezas e das raízes surge a definição de nós mesmos como algo volátil, difícil, porque com a sociedade da informação, posso mudar de ponto de vista e posso adquirir novas informações e novos conhecimentos que me redefinem de imediato. Mas ao mesmo tempo há valores indissolúveis, há desejos e escolhas que não sofrem alteração, pois se cristalizaram de forma endurecida. Acredito que isso é bom, pois senão estaríamos o tempo todo a mercê, à deriva, sem podermos ao menos fazer as escolhas que necessitamos. Então, “a identidade é uma luta simultânea contra a dissolução e a fragmentação; uma intenção de devorar e ao mesmo tempo uma recusa resoluta a ser devorado” (idem, p.84).

Penso que chegará um momento na sociedade em que tudo que já foi valorizado voltará a sê-lo. Não que eu queira ser tradicionalista, mas se liquefez demais e chegará um tempo em que estaremos todos dissolvidos e então voltaremos a querer nos solidificar. Os estudos de Bauman são interessantes, mas um tanto pessimistas. É preciso gerar esperança e provocar a mudança. Essa é a missão dos grandes teóricos. Veja isso no trecho abaixo:

A construção da identidade assumiu a forma de uma experimentação infindável. Os experimentos jamais terminam. Você assume uma identidade num momento, mas muitas outras, ainda não testadas, estão na esquina esperando que você as escolha. Muitas outras identidades não sonhadas ainda estão por ser inventadas e cobiçadas durante a sua vida. Você nunca saberá ao certo se a identidade que agora exibe é a melhor que pode obter e a que provavelmente lhe trará maior satisfação. (BAUMAN, 2005, p.91-92)

Num certo ponto, a diversidade de identidades é boa. Antes da revolução tecnológica estávamos presos a tabus, preconceitos, ignorância… Não que tudo isso acabou, mas o espaço para a voz do sujeito está maior. Hoje não preciso nascer e ser o mesmo a vida toda, posso mudar. Posso me ressignificar. Entendo a preocupação do autor. É que nessa onda de sempre experimentar podemos acabar por nunca definir.

Para que o texto tenha um fecho, pois a questão é sempre aberta, volto à minha definição de identidade que coloquei no início: Identidade é aquilo que define o sujeito no trajeto de suas escolhas, inclinações político-sociais, movimento inerente do ser humano na busca de dizer-se quem se é e assumir posições no cotidiano da vida. Quem sou eu? Quem é você? Já fizeram essa pergunta. Proponho o exercício e começo a fazê-lo nos comentários. Forte abraço!

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