Conversei pelas redes sociais com Daniel Silveira Lopes, que é natural de Passos (MG), que faz parte da descendência dos Vizibelis, e está nos Estados Unidos expondo suas pinturas. Amante do campo, o artista destaca que a rusticidade e a força da natureza e do místico estão presentes em suas obras que trazem um viés expressionista. Na produção são utilizadas cores fortes e marcantes e materiais irreverentes. Daniel, que é formado em Administração de Empresas, atualmente se dedica exclusivamente às artes plásticas. Seu trabalho está viajando o mundo, mas como diz “sua casa é o Brasil”. Alegria dos brasileiros que podem ter contato de perto com um talento primoroso e autodidata.

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Reportagem Danilo Vizibeli (danilovizibeli@gmail.com)

Fotos Acervo Pessoal

Como surgiu a arte na sua vida?

A arte surgiu de maneira muito natural. Era assim que eu encarava a vontade de desenhar sempre e em tudo. Principalmente expressando desta forma, o universo no qual eu estava inserido. Um de meus bisavôs paterno era ferreiro e muito habilidoso e seu pai era escultor em mármore. Meu avô materno, com quem eu sempre tive muita proximidade era pintor, escultor em madeira e boiadeiro. E desta mistura cultural e genética nada convencional creio que posso ter herdado a veia artística e a inspiração.

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Além da pintura, há algum outro tipo de arte do qual você é adepto?

Além do desenho e pintura, também gosto de trabalhar com materiais como madeira, ferro, penas e fio de algodão. Acredito que representam bem minha essência e conceito do que quero transmitir. Ainda não esculpi, mas pretendo tentar!

Qual a temática de suas pinturas?

Minhas obras retratam minha vivência e minhas raízes ligadas ao campo e a natureza, trazendo em um estilo expressionista, a rusticidade e força, que se contrastam com as formas e o misticismo existente no universo retratado.

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A gente vê que você é muito ligado ao campo, à cultura country, esse aspecto de sua personalidade é traduzido em suas pinturas?

Minha arte está impregnada da minha personalidade. É de dentro para fora, desta forma não tem como deixar de transmitir minhas impressões naquilo que faço. Está tudo ali, nos traços, nas formas, cores e até nos materiais utilizados.

Qual a mensagem você gosta de transmitir com sua arte?

Não penso exatamente em passar uma mensagem, eu busco construir um universo pelo qual somos atraídos no breve momento em que observamos! E este universo utiliza de cores, texturas e materiais para proporcionar que esta imersão desperte em nós nossas próprias impressões. Assim cada pessoa faz sua “viagem” no universo que crio através da minha arte.

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Como aprendeu a pintar, fez cursos? Quais?

Eu sou autodidata e talvez não saberia falar sobre técnicas. A verdade é que eu me sinto conduzido pelo meu trabalho, e de acordo com a necessidade vou descobrindo formas de chegar ao resultado que quero e estas se tornam minhas próprias técnicas, que não são acadêmicas.

Já recebeu prêmios pela sua arte? Quais?

Apesar de ter começado na infância, faz pouco tempo que encaro a arte profissionalmente. Mais recentemente, no último dia 23, meu trabalho foi premiado pela ONU, junto a outros artistas, por uma exposição coletiva que participei ano passado em Nova Iorque. E voltou a ser exposto no prédio da ONU ao lado de artistas do mundo inteiro.

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Recentemente você participou de uma exposição aqui em Passos, no Palácio da Cultura, como foi expor sua arte aos seus conterrâneos?

Foi um grande prazer poder mostrar minha arte e ser prestigiado pelos meus conterrâneos. Tenho trabalhos na Galeria Sobrado em passos, mas nunca tinha participado de uma exposição local. Foi uma grande oportunidade e deu visibilidade. Muita gente nem sabia que eu pintava!

Há quanto tempo você está nos Estados Unidos? Como surgiu o convite para expor suas telas aí?

Há mais de um ano fui aprovado pela curadoria da galeria de Nova York e enviei alguns trabalhos para serem expostos lá e também para participarem de um circuito de arte que incluía Miami, Paris, Shanghai e Berlim. Minhas obras viajaram, mas eu não! Então este ano eu resolvi vir para uma das exposições e conhecer pessoalmente a galeria. Estou aqui há três meses.

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Como tem sido a receptividade do seu trabalho pelos americanos e também pelos brasileiros que residem aí?

Fiquei muito satisfeito com o resultado das exposições, e a forma como a arte e o artista são valorizados aqui. Tive a oportunidade de conhecer muita gente e fazer muitos contatos que estarão presentes em projetos futuros.

Você pretende morar nos EUA?

Pretendo conhecer não só os EUA, mas outras partes do mundo, se for possível, mas minha casa é o Brasil.

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