– Ai meu Pai, ô meu Pai!

– E o Brasil hein? Que bagunça!

– A Dilma saiu né? O que será do governo Temer?

– Você viu aquele acidente na rodovia? Deixou três mortos.

Em Linguagem e na Análise do Discurso, a paráfrase é a repetição do sentido, mas que é sempre acompanhada da polissemia que é a instauração de “novos” sentidos.

Fico observando as falas cotidianas, as prosas, os bate-papos. O modo de o homem se comunicar é muito semelhante. Ao mesmo tempo é cultural. No Brasil, nosso povo é preocupado com o outro e é solidário, mesmo que fique só nas palavras.

Observo também as postagens no Facebook. Há um recorta e cola, ou melhor, um compartilhar, sem saber de onde vem e se é verdade.

Os dizeres parecem ser sempre os mesmos. Mas nem sempre são.

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Busco e prezo pelo otimismo. Poderíamos reverter os dizeres que abrem o texto nos seguintes:

– Ô meu Pai! Como a vida é boa e como somos abençoados por podermos viver!

– O Brasil tem seus defeitos, mas é uma grande pátria.

– Vamos esperar uma reforma política e que toda mudança seja para o bem.

– Houve um acidente. Que as famílias da vítima possam obter o amparo.

Que não deixemos os dizeres ser sempre os mesmos. A História marca os trajetos do homem e cada época tem sua especificidade. Viemos numa era em que os acontecimentos são rápidos demais e há o excesso de informação. Então, mesmo que os dizeres são outros, os sentidos, os discursos se repetem ou readaptam na fluência e movência da sociedade moderna (líquida).

Os dizeres parecem ser sempre outros. É a politização da sociedade, a busca pela fuga da alienação, a condição de poder brincar com as palavras mesmo naquilo que não é dito e assumir-se como sujeito.

Que os dizeres, então, sejam sempre outros!

 

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