Chega um momento na vida da gente em que a porta, ou as portas, se fecha(m). Como é isto? Todos nós temos abertas dentro de nós, dentro do nosso centro da emoção, que nas simbologias é designado como o coração, e que eu chamaria de alma, algumas portas que são a família, o emprego, a religião, os relacionamentos amorosos e cada porta pode ir ainda abrindo outras e outras portas. Todas elas dão para outra porta de entrada, uma porta maior que pode fechar todas ou permitir que todas sejam abertas. É a identidade. É o nosso eu.

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Por vezes em minha vida fui deixando várias dessas portas abertas. Escancaradas. Brigava com a família, não estava bem no emprego, a religião era um grande conflito: se gosto da católica, mas tenho que seguir a espírita, se sou espírita, mas ainda gosto da católica.

Agora, no auge dos meus 30 anos, é chegado o momento de fechar estas portas, ou pelo menos, algumas e, sobretudo, a porta principal. É preciso trabalhar com o que se tem dentro de mim. É preciso não mais deixar entrar vestígios de conflitos, dúvidas, incertezas, ou mesmo quando elas aparecerem deixar que elas sintam que aqui não é o seu lugar e saiam por alguma fresta aberta das portas.

O emprego? Digamos que ainda não cheguei onde queria. Mas está bom por ora. A preparação tem acontecido, mas ainda não se findou e mesmo quando findar, talvez o que eu quero ainda não chegue assim tão de imediato. Uma carreira profissional é árdua e chegar naquilo que você quer é mais ainda. Mas não é impossível. E a luta não pode parar. Porque quanto mais lutamos, mais aumentamos a chance de acertar o alvo, o ponto que queremos estar, o nosso topo.

E você? Está com portas abertas ou fechadas? Há pessoas que falam, falam, falam… Resmungam, resmungam, resmungam… O que eu posso fazer? Posso até falar. Se não vão me escutar, o que posso fazer? Deixarem falar. As portas ainda estão abertas. Muitas vezes há pessoas que falam comigo, me dizem, me dão sua opinião. O que fazer, se minhas portas estão fechadas? Nada adiantará elas falarem. Para ouvir o que elas tem a dizer e se isso for realmente relevante para mim, terei que abrir um cadinho da porta principal, ou rearranjar a abertura de diversas outras portas interiores, para dar vazão a essa voz do outro que fala e que preciso escutar, porque ele tem razão.

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Assim, manter a porta fechada é algo bom, mas ao mesmo tempo é algo de extrema responsabilidade e que deve ser olhado com muito cuidado. É preciso estar atento. Essa porta fechada eu chamaria de FOCO. Eu estou com foco naquilo que eu quero, naquilo que eu sou, naquilo que estou buscando e ainda vou buscar.

Não que os outros pense que não são importantes para mim, mas tenho traçado uma trajetória a longo prazo e sou determinado naquilo que quero. Quando coloco na cabeça uma coisa, vou até o fim. Quando as portas estão abertas demais se perde o foco. Desculpem-me aqueles que não se agradam com esta minha atitude. Podem bater à porta! É claro que vou atender. Se vou deixar entrar não sei. Mas se eu deixar, pode ter certeza, as outras portas de dentro não estão trancadas à chave, só a principal. E se entrou é porque tem um lugar especial no meu coração. O meu centro da emoção se ligou ao seu.