Danilo Vizibeli

danilovizibeli@gmail.com

Não há conquista maior do que a democratização da produção da informação causada pelo advento das redes sociais. Nelas qualquer um pode falar, pode manifestar sua opinião e publicar algo que lhe interessa. O movimento das redes sociais é fluido e, assim como a humanidade, está em constante transformação. As publicações no Facebook em especial parecem atender a uma determinada ordem e dessa forma proliferam em certos períodos assuntos mais frequentes. Já foram as piadas, os chamados MEMES (frases repetidas que circulam com frequência e se transformam em um “viral”) e agora o assunto da vez é a política.

Postar comentários sobre o atual momento crítico da política brasileira tornou-se comum. Conheço duas senhoras que parecem que depois que descobriram o Facebook ganharam sua vez de falar. Os perfis dela são repletos de posts contra o atual governo e a favor do impeachment. Alguns um tanto depreciativos, apoiando quem é favor de torturador (digo Jair Bolsonaro) e a intervenção militar no país, ou seja, a volta da ditadura militar.

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Por outro lado, há pessoas que publicam posts de militância. Requerem seus direitos, ou então praticam o esquerdismo, mas o esquerdismo de Facebook. Têm um discurso bonito a favor da democracia e contra o golpe.

Não sou contra a militância no Face. Sou sempre a favor da democracia. Não posso dizer que a reflexão deste texto é somente minha, pois mais uma vez ela partiu de conversas com a Gisele, minha amiga de trabalho. O que intriga a Gisele e que também tem passado a me intrigar é que a atuação política e o exercício da cidadania não pode ficar apenas em palavras. Tem que sair das redes sociais e passar a ser uma conduta de vida. Um exemplo que foi descrito em uma de nossas conversas é uma pessoa que ao falar tem uma conduta totalmente de direita, apoia o impeachment e usa o discurso de ser contra a corrupção. Às vezes fala até algumas coisas sem pensar, na pura inocência política. Só que tal pessoa tem uma atuação comunitária muito forte, atua em benefício dos mais carentes e percebemos que saiu do comodismo de apenas publicar dizeres bonitos, frases emblemáticas e passou a atuar de fato.

Vamos lutar, vamos unir nossas forças! – bradam os ativistas de Facebook. Mas pouco são aqueles que na prática cotidiana exercem de fato o papel de cidadão. Nas esferas do serviço público, muitos estão clamando a favor do governo, mas estão atrás na verdade é da garantia dos seus direitos de trabalho. Um esquerdismo que não seria a favor de muitos, mas a favor de si próprio, dos interesses pessoais e particulares.

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Não estou aqui querendo ser exemplo, nem dar lição de moral, até porque não me considero um engajado político. O que falta é lermos, estudarmos, verificarmos, estudar a estrutura política do país, combater as ideologias dominantes e sair da caverna em que nos colocaram (como no mito de Platão) para enxergarmos as verdadeiras luzes do raciocínio consciente de fato.

No meu Face não posto política. Não porque tenho medo. Mas porque corro o risco de cair em contradição dos meus ideais políticos apenas clicando “curtir” e “compartilhar”. Se não conheço de fato a história do meu país é preciso buscar um pouco mais de conhecimento para depois postar, postar, postar e me dizer que sou um engajado político.