Com a pergunta acima começava mais uma aula da Professora Doutora Lucília Abrahão e Sousa no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da FFCLRP/USP – Ribeirão Preto. Ela pediu que definíssemos uma resposta para esta pergunta. Como o intervalo para escrever foi pequeno, apenas consegui colocar no papel o seguinte: “No sentido geral a internet é a rede de computadores interligados. A internet é hoje um espaço de múltiplas possibilidades”. Ao final até que eu não estava tão errado assim. Confiram!

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Danilo Vizibeli

danilovizibeli@gmail.co

O que era uma experiência militar tornou-se o boom que é a internet hoje. Uma rede de computadores dinâmica que interliga países e conecta seus usuários e altera os parâmetros sociais e nos coloca em xeque quando a questão é a realidade, a virtualidade e as interações no espaço on-line. Quem somos, onde estamos e o que fazemos?

Há diversas metáforas para definir a sociedade contemporânea. Otávio Ianni é um dos estudiosos que enumera algumas delas em seu texto “Metáforas da Globalização”. São elas: pós-modernidade, aldeia global, nova Babel, sociedade de consumo e tantas outras. Segundo a professora Lucília, se há dificuldade em definir a era, se há inúmeros nomes para um mesmo fenômeno, é porque é algo de difícil definição que foge aos sentidos humanos.

A internet é ponto de convergência de todas as tecnologias (mídias). A partir de 1950 com a chegada da televisão e antes dela, o telefone, tínhamos avanços tecnológicos surpreendentes. Pode-se dizer que o telefone é uma prótese da voz, que amplifica, estende aonde minha voz não consegue chegar. Nesta perspectiva a internet acoplou todas as inovações anteriores e se superou em termos de renovação e inovação a cada dia mais veloz que obedece ao ritmo da obsolescência programada, ao passo que novos dispositivos, redes e aplicativos são lançados todos os dias. Na internet é possível ter TV, rádio, fotografia, cinema e tudo o que se imaginar.

Mas o que mais chama a atenção são as conexões. O percurso que toma uma informação veiculada na rede (postada, publicada, seja o verbo que for é desconhecido e assim se fazem diversos nós entre nós humanos. Uma foto de dispositivos que monitoram o tráfego de informações na rede define bem o que estamos falando.

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a internet cria para o humano a condição de navegador. Há um exercício da ubiquidade quando se é possível estar presente em dois lugares ao mesmo tempo. Não uma presença física. É possível estar em seu escritório e ao mesmo tempo participar de uma conferência na França ou na Espanha. Ocupa-se, mesmo que virtualmente, dois espaços. Uma das  maiores alterações em nosso cotidiano que a internet executa é a percepção, ou melhor, a reconfiguração do espaço e do tempo.

Outra questão importante é a ética e os limites entre público e privado. As distorções causadas pela era do exibicionismo na internet é relatada no livro e filme “Homens, mulheres e filhos” que já citei aqui no blog (vide link https://danvizi.wordpress.com/2015/12/27/homens-mulheres-e-filhos-um-livro-um-filme-e-um-gozo-num-toque-sociedade-transformada-nas-teias-das-relacoes-tecnologicas/). Começa-se a expor o que de mais íntimo se faz na intimidade.

A internet é uma indústria produtora de desejos. Ao acessar o Facebook é possível ter depressão por achar que minha vida não vale nada enquanto o amigo posta só desejos, prazeres, viagens e bem-estar com seus amigos. Ninguém posta coisas ruins na rede social. Porém, é impossível ser feliz o tempo todo e assim aconselha Leandro Karnal: pare de postar felicidade falsa no Facebook (ver vídeo https://www.youtube.com/watch?v=Z84erIcQqhM).

O que me parece é que a internet tenta lidar com as faltas do ser humano no sonho de ser completo. A internet com a oferta de múltiplas possibilidades parece gerar no homem o desejo de ser completo. Só que nesta busca desenfreada ele acaba mais incompleto ainda, porque há uma fluidez muita rápida e citando Bauman, os sólidos se derretem e sem saber para onde ir o homem acaba cada vez mais incompleto, vazio, solitário, triste.

Deixando o pessimismo de lado, por outro lado muitas foram as conquistas por meio do mundo on-line. Ou não? (ver o vídeo de Davison Pedroza https://www.youtube.com/watch?v=9_JDcFMDieU). O problema é que conectamos demais quando nossos laços reais são vazios. O que fazer? Redefinir a internet, para tentarmos viver melhor. Estamos tentando fazer isso aqui no Espaço da Gente, até porque nossos projetos querem a melhoria humana e o projeto de Rede de Leitura de Blogs (#RELÊBLOGS) quer conhecer melhor e conectar, de fato, essas pessoas. Pois não podemos mais ficar só lendo anônimos, vendo fotos anônimas, sem ter voz e sem ter vez. A internet precisa fazer com que nos conectemos a nós mesmos.

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