O título poderia ser a alegria de viver na “melhor idade”, já que virou moda se referir ao também clichê “terceira idade”, ou seja, a fase em que somos ou seremos idosos. Acho que toda idade pode ser a melhor idade. Nem todos, porém, carregam em si a alegria de viver de muitos velhinhos por aí.

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Era manhã de segunda-feira e eu fui levar minha irmã para fazer exame de sangue. Lá em casa é assim: sempre um acompanha o outro com medo de passar mal. Antes de chegar ao laboratório passamos no escritório do plano de saúde para autorizar o exame. Logo cedo, uma senhora entrou e cumprimentou o seu colega que ali estava também idoso: -Ô seu Zé, tudo bem? Como vai? – e depois da resposta do amigo de que estava tudo bem: – A gente vai levando, tem uma dor aqui, uma dor ali, mas está tudo bem, não podemos reclamar não.

Diante de todos os obstáculos da vida, manter a alegria do viver em plena maturidade é exemplo de espiritualidade e fé. Quem crê em algo melhor a cada dia que passa, conscientiza-se da sua melhora interna e ao mesmo tempo se aproxima de boas energias e atrai para si boas pessoas e bons acontecimentos.

E assim depois da fala daquela senhora no plano de saúde, fui observando pelas ruas o jeito de viver dos idosos. Trazem na pele as rugas da vida. O corpo já não é mais o mesmo. Mas onde se perde de um lado, se ganha muito mais do outro. Nossos jovens de hoje em pleno vigor do seu corpo físico conseguem manter a energia ativa, mas quase sempre são estressados, ansiosos, querem possuir o quanto mais possível. O mundo está materialista demais: come-se demais, compra, adquire, estuda, malha, cuida do corpo com muita vaidade… E nessa de querer, poder, ter, viver, vamos ficando carrancudos, principalmente, no meu caso, quando se tem que acordar cedo.

Hoje acordei muito cedo e ontem trabalhei até tarde. E nessa onda do cansaço, mas sem olhá-lo de cima como fazem os velhinhos, começo a reclamar, maldizer meu serviço, ver em tudo contradições e problemas… Acho que é isso: os idosos olham os problemas de cima para baixo. Já passaram por tantas coisas que agora querem é olhar ao longe, na esperança de viver a cada dia um bocadinho a mais. É a hora de colher os frutos. Na pressa de plantá-los, muitas vezes deixamos a enxada da labuta cortar nossas peles, bater em nossas canelas, mas quando está na hora da colheita, não precisamos mais olhar essas cicatrizes que a enxada nos deixou. Colhemos o doce fruto, colhemos a doce vida que há em nós.

Ao invés de reclamarmos pensemos naquelas pessoas que estão doentes, ou que estão sofrendo demais: refugiados de guerras, vítimas de violência e tantas outras situações calamitosas que afligem nossos irmãos de ideal nesse mundo de meu Deus. Muitos queriam poder levantar da cama para poder reclamar do chinelo virado no chão. Ah! Mas não podem! E nós podemos tudo se olharmos de cima para baixo e vivenciarmos desde já a alegria de viver na maturidade.