COLABOROU: Gisele Oliveira

A celeuma da vez é a publicidade do Banco Itaú, em que se propagou a palavra Digitau com U, numa jogada de marketing da campanha publicitária de uma das maiores agências, a África.

O questionamento foi que a peça poderia estimular crianças a escrever fora do padrão da ortografia da língua portuguesa. O CONAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – fez uma notificação e resolveu julgar a necessidade de tirar a propaganda do ar.

A África, mostrando sua capacidade criativa, em vez de se submeter às imposições e questionamentos fez algo ainda melhor e mais criativo: lançou uma nova peça explicando o que seria digital com L e Digitau com U, este último uma marca criada pelo Banco Itaú para definir seus serviços e produtos digitais.

As palavras não são propriedades individuais de ninguém, mas sim instrumentos de seus múltiplos falantes. Assim como há a poesia, há o jogo com elas e a atitude de brincar com os textos e mover diversos sentidos. Nossa preocupação é porque tais acontecimentos revelam uma dificuldade da população brasileira de leitura de modalidades textuais diversas e de interpretação. Pois, o texto publicitário é um gênero que permite o jogo dos sentidos, a leitura pelas entrelinhas. Portanto, não há necessidade de ser tudo explicado, roteirizado e sequenciado. Quando se cria essa obrigatoriedade, a capacidade crítica e analítica de leitura dos espectadores é colocada em questão. A campanha do Itaú poderia ser um chamariz para se trabalhar com as crianças, inclusive, as possibilidades diversas do dizer.

Os sentidos que circulam, a leitura nas entrelinhas, o jogo do implícito e do não dito ou dito de formas diversas, precisam ser propagados para que tenhamos a escrita e a leitura como processo de significação amplo.

 

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