Esta semana circulou na internet uma entrevista com o crítico de música Ruy Castro que trazia no título o seguinte pensamento: “Fomos reduzidos a porcarias como axé, sertanejos e padres cantores”. Este texto que aqui apresento já estava planejado em minha mente há algum tempo e quando apareceu essa notícia ele se delineou com mais propriedade.

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Arte psicodélica

Diante da crítica contundente cabe nos perguntar: o que é arte? Ferreira Gular em seu poema “Traduzir-se”, reflete sobre a questão e nos versos finais coloca: “Traduzir uma parte na outra parte, que é uma questão de vida ou morte, será arte?”

Recentemente promovi com meus alunos uma reflexão deste tipo, pois ao trabalhar “Literatura” é impossível não adentrar no universo da arte. Definir o que é arte é impossível. A opinião de Ruy Castro é algo que precisa ser questionado, debatido e não quero aqui concordar ou discordar plenamente. Concordo em parte, discordo em outra.

Entendo a arte como uma representação do espírito humano. Esse ponto de vista foi me questionado. Seria a arte então algo além do humano, inexplicável e ainda produção de saberes e competências? Quando se faz essa imposição de só o que é elitizado, aurificado vale como arte nega-se a importância da arte como marca da diferença dos seres humanos.

Na canção-poema de Ferreira Gullar outro verso diz: Uma parte é só vertigem, outra parte linguagem”. Nesse contexto, percebemos que a arte pode agradar ou não. Por isso o que para mim é arte para o outro pode não ser.

Inúmeras manifestações se fazem em meios materiais artísticos desde a escrita, a literatura, passando pelas artes plásticas, a música, a dança, até diversas outras manifestações culturais. Diante de uma expressão do pensamento humano é preciso perguntar: Será arte? Mas a resposta pode ser nem um não, nem um sim. Quando dizemos “isto não é arte” estamos pressupondo a nossa arte. Por isso é preciso distinguir “o que é arte” do “que é a Arte”. A Arte como um estudo da estética e da beleza define padrões, apregoa certo rigor e classifica de acordo com pensamentos, geralmente, da classe dominante. Agora a arte em si está no dia a dia, em todas as expressões, nas ruas, onde houver o calor humano.

Precisamos aguçar nossos sentidos e ampliar nossos horizontes para que nossa percepção sensorial possa não ficar presa a amarras ideológicas, mas vivenciar experiências outras que nos façam ter contato com outros contextos que não o nosso mundinho fechado preso ao certo e ao errado. Quando se trata de arte, não se trata de certo errado e sim de sentir ou não sentir. Sentiu? Será arte!

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