Depois de um feriado prolongado, curtindo em casa e muito conectado ao Facebook, resolvo desativá-lo por uma semana… Só uma… Mas se conseguir pretendo ficar mais, uns 15 dias. Por que esta atitude tão radical numa era tão tecnológica? O motivo é simples: estou fatigado, minha mente está estressada ao ver tantas imagens, fofocas, dizeres, publicações que não levam a nada. Sinto-me ao mesmo tempo extremamente informado e desinformado. Cheio de curiosidades, cheio de saber o que o vizinho está fazendo na praia ou seja lá onde for, e ao mesmo tempo sem ter um conhecimento profundo da realidade que está vivendo meu país. E por quê? Porque perco meu precioso tempo no Face.

so sei que nada sei

Há um excesso na veiculação de imagens e, ao mesmo tempo, um isolamento na frente do computador. Conversei com diversas pessoas no final de semana, mas pelo chat do Facebook. Enquanto estava ali era legal, saber do que estão acontecendo com elas, trocar informações. Como o feriado foi prolongado, três dias dentro de casa, fiquei fatigado em alguns momentos querendo conversar pessoalmente com alguém que não fosse da minha família. Não tive a iniciativa de ligar para ninguém e as pessoas reais com quem conversei foram só meus vizinhos, digo, além dos meus familiares. Se não sou capaz de ligar para alguém, convidar para tomar um sorvete, um café e conversar cara a cara, também não foram capazes de me ligar. Aliás ligação telefônica é o que menos tenho recebido nos últimos tempos e acho que tem sido assim com todo mundo. Que loucura!

Nessa zona de solidão que é o Face e nesse ladrão de tempo, as pessoas estão conectadas para a tela e desconectadas para a vida. No texto anterior falei da postagem de um menino destruindo a escola. A que ponto chegamos que agora tudo, simplesmente tudo, pode ser publicado, compartilhado, curtido?

Leandro Karnal, professor e historiador da UNICAMP ao falar sobre a era tecnológica, diz que um dia o celular de uma aluna tocou dentro de sala de aula e ela disse: “desculpe, professor, mas eu tenho filhos”. Karnal em sua fala reflete: “como nossas mães nos criaram sem celular, então?” Tecnologia é bom, escravização por meio dela não. O que é que está acontecendo? Em vez de adaptarmos a tecnologia ao nosso ritmo de vida, estamos fazendo o contrário. Conheço diversas pessoas que não tem o Facebook, nem não são muito adeptas de outras redes sociais. E elas não vivem? Normalmente! Hoje o número de pessoas que tem perfil nas redes é muito grande, mas ainda há uma parcela enorme de pessoas avessas a esse tipo de coisa.

Quero descansar minha mente nestes dias. Estou agora à frente do computador escrevendo este texto? Sim, estou… Mas estou concentrado nele, o que não aconteceu no final de semana, enquanto eu estudava um curso a distância e ficava o tempo todo olhando as atualizações do Face. Isso por enquanto tem me afetado pouco, mas a falta de concentração pode piorar cada vez mais…

Desativei o Face por uma semana ou quinze dias? Sim. Depois vou voltar, vou bisbilhotar, mas depois vou desativar por mais um mês, volta, depois dois, volta, seis até que eu consiga me livrar de vez deste vício dessa rede demoníaca, criada por norte-americanos para espionar, controlar, dominar e principalmente alienar seres pensantes.

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