O sensacionalismo não é novidade da internet. Muito antes dela existir já havia programas como o “Aqui e Agora”, cenas fortes, revistas com objetivos escusos, gosto pela violência. Casos que tem me chamado a atenção é quando uma pessoa morre em um acidente logo chovem pessoas para filmar com os smartphones e depois postar na rede. Antes da revolução tecnológica também choviam pessoas para ver o ocorrido só que não podiam filmar. Quando muito iam bater uma foto que só seria revelada no foto, depois de alguns dias.

Mas não é o que acontece atualmente. Circulou na rede um vídeo de um menino destruindo a escola. Quando li a notícia sobre este caso, imaginei que fosse um menino todo revoltado aos gritos e que as pessoas ao seu redor estariam em desespero pela situação. Mas não foi o que vi quando acessei o vídeo. Um menino revoltado sim, mas sem exagero que pega as coisas e vai jogando no chão. Os profissionais da escola a sua volta ainda incentivam: “vai joga mesmo, vamos ver o que vai fazer, a mãe vai pagar tudo o que quebrou”.

Fiquei imaginando porque o menino estava naquela sala, que é uma sala de professores. Foi levado ali para ser contido? A cena nos transpõe a uma imagem discursiva de uma sala de delegacia ou quartel em que os policiais insultam e debocham da cara do bandido, mostrando sua força e seu poder. A autoridade não se exerce com intimidação. Falta ali todos os recursos que este garoto não teve e que, sem o apoio da escola, ele poderá vir a ser um adulto problemático e criminoso. Não estou dizendo que o problema é da escola. Pode ser da família? Pode e com certeza será. Mas também não é só da família.

O importante frisar é que a divulgação sensacionalística, o excesso de informações, vai destruindo ainda mais os valores, o respeito. Triste realidade. Internet é a fábrica da sociedade doente, alienada, que precisa mostrar tudo, não importa o quê. Esse vídeo servirá para fomentar a violência, gerar discussões e falatórios desnecessários, aumento do preceito, da hostilidade e do fracasso.

Pensemos! Ajudemos! O que tenho feito pela família desse menino que está em crise? O que posso fazer para colaborar com uma internet mais consciente em seu uso?

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