Em pleno borbulhar do século XXI nossas mentes são tomadas por imagens. Quando abrimos a internet estamos em contato com os mais variados tipos de imagem. Só que muitas vezes a imagem pode até falar por si só; às vezes é efêmera e outras, registra um tempo dado num espaço dado, porém há sempre uma palavra para acompanhar a imagem.

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Quando vejo uma imagem, para descrevê-la uso palavras. É por isso que aos comunicadores sociais não podem passar despercebidos os estudos da linguagem. A ciência ou campo do conhecimento que dá conta da linguagem (e não mais só a linguagem verbal como nos seus primórdios) é a Linguística.

Segundo o fundador desta ciência, o suíço Ferdinand de Saussure, “a Linguística tem por único e verdadeiro objeto a língua encarada em si mesma e por si mesma”.

Em um dos capítulos do Curso de Linguística Geral, obra preparada após a morte do estudioso genebrino pelos seus alunos Charles Bally e Albert Secheyhaye com a colaboração de Albert Riedlinger, trata-se da matéria e tarefa da Linguística que tem interesse por TODAS as manifestações da linguagem humana; NÃO só a linguagem correta e a “bela” linguagem, mas todas as formas de expressão. Porém no início dos estudos privilegiaram-se os textos escritos.

A escrita é a representação da língua. Porém, são dois sistemas distintos de signos. “A língua tem uma tradição oral independente da escrita e bem diversamente fixa; todavia, o prestígio da forma escrita nos impede de vê-lo. A língua é regulamentada por um código e tal código é propriamente uma regra escrita (ortografia)”.

Foi com a escrita que a história se tornou História, pois antes dela tínhamos a pré-história. Os indícios gráficos sempre existiram, pois além de nos constituirmos em torno de sociedades grafocêntricas o ser-humano tem a necessidade de escrever ou desenhar aquilo que comunica.

É por isso que no nosso segundo encontro (19/09/2015) do GEDILE – Grupo de Estudos Discursivos sobre a Leitura e a Escrita discutimos sobre a importância da escrita como registro histórico, pois até mesmo na história oral é com a transcrição escrita que o discurso registrado e gravado se torna fonte e documento.

Falamos também sobre moda e identidade e não vejo mais do que a moda como uma escrita do corpo, onde nos vestimos (ou despimos), adereçamos, enfeitamos, colocamos o verbo na própria pele.

Escrita, sujeito e identidade são possibilidades na e da língua e da palavra. São fatos que implicam uma séria de fatores: quem escreve, o que escreve, porque escreve e o que lhe é permitido escrever. Esses fatos são possibilidades, mas não são regras fixas, pois nos confrontam o poder. É pela escrita que devemos registrar o que somos e o que queremos, mas como escrever num mundo de tantas possibilidades? Voltemos para a língua e a palavra e reflitamos sobre elas que encontraremos nossos caminho,s nossa identidade e desenvolveremos nosso conhecimento na escrita de nós mesmos, na escrita de si, usando a terminologia de Michel Foucault.

PARTICIPE DO GEDILE, UMA VEZ AO MÊS, AOS SÁBADOS NO IFSUL DE MINAS CAMPUS PASSOS, RUA MÁRIO RIBOLA, 409 PENHA II. CONTATOS danilo.vizibeli@ifsuldeminas.edu.br