Fizeram-me essa pergunta certa vez. Não acredito que a leitura tenha se tornado desmotivante na era da tecnologia. O ser humano é que está desmotivado. Busca tanto, mas não sabe o que e não se cansa de procurar mesmo que não encontre.

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A leitura continua sendo uma prática prazerosa, mas ao mesmo tempo exige desprendimento, concentração e amor. É preciso amar a leitura e os livros. Não se aprende a gostar de ler da noite para o dia e sim com a prática, com atividade constante, avaliando o que se lê, separando livros, construindo a sua história de leitura.

Na verdade o que falta hoje é colocá-la como prioridade. Tudo pode vir antes. Tem-se tempo para tudo, mas quando se fala em ler, chovem os empecilhos. Quando a leitura se torna hábito é possível ver nela uma motivação como encontramos em outras atividades ditas mais prazerosas.

Por outro lado é preciso buscar uma resposta ou uma reflexão para tal pergunta. Na era da tecnologia pode ser que a leitura aparente desmotivante, pois é uma prática silenciosa (ou não) solitária e que não apresenta instantaneamente o colorido do mundo digital. Não brilha nenhuma tela, nenhuma ação ao ler um livro, pelo menos os de papel, tradicionais. Mas pula e atiça a imaginação, a memória, o pensamento. Ler é aprender a pensar melhor. Quando a gente lê, as letrinhas que saltam do texto pululam em nossa mente e fazem com que absorvemos e pensemos naquilo que está sendo lido, assim construímos reflexão e senso crítico.

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O mundo avançou demais tecnologicamente e “emburreceu” reflexivamente. É triste quando entro em uma sala de aula e em projetos de leitura motivo as pessoas a lerem. Num primeiro momento compram a minha ideia, pegam os livros, mas chegado o prazo de devolver os livros (quando devolvem) dizem: já vou devolver, pois não li mesmo. E aí alegam que não tiveram tempo, mas o que não tiveram foi o interesse e não colocaram o livro que pegaram como prioridade. Devolvem os livros e devolvem com eles a possibilidade de um aprendizado. Triste também é quando a pessoa começa a ler um livro e não gosta, não vai até o fim, ou pior, desiste de ler outros. É preciso ir testando os livros. Comigo, faço o seguinte: quando o livro é chato ou eu vou até o final e muitas vezes me surpreendo, ou então eu faço o “namoro” com o livro. Deixo-a na estante, vou olhando para ele e digo a ele: “eu preciso te ler, só não sei quando” e depois de algum tempo consigo lê-lo. Foi assim com “A menina que roubava livros” que depois me trouxe lições valorosas do tempo da Segunda Guerra Mundial.

Para finalizar, sintetizando, temos a pergunta: “por que a leitura se tornou desmotivante na era tecnológica”, respondemos que não, ela não se tornou desmotivante. O ser humano é que precisa atribuir outros sentidos a leitura e construir sua relação com os livros, desde que isso seja uma prioridade.

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