Senti falta da palavra “Deus”. Por que será? O homem anda tão vazio, que anda se esquecendo de Deus? Mas ao mesmo tempo tivemos as palavras “Mãe”, “Esperança” e “Vida”, as minhas preferidas, que resumidamente trazem a ideia do divino, do afeto, de Deus-bondade-todo-amoroso.

Representação da Esperança
Representação da Esperança

Este acontecimento nesta revista, nos confirma a necessidade de refletir e escrever sobre as palavras, a metalinguagem, tema comum em diversos poetas do mundo todo. A palavra é a presentificação do homem, é o instrumento pelo qual ele se marca e se posiciona diante do mundo. Por isso não há palavra neutra, pois nas escolhas lexicais estão a subjetividade e o agir político do homem no mundo, porque pode escolher e pode comunicar sentimentos, ações e pensamentos.

A palavra mãe é um termo básico, comum em diversos idiomas, pois sem a figura materna não existiríamos. Mas é carregada de carga significativa uma vez que ser mãe confere uma multiplicidade de sentidos. Há vários tipos de mãe e eu amo a minha. Drummond em um de seus poemas nos diz: “Fosse eu rei do mundo, baixava uma lei: mãe não morre nunca!” Ao mesmo tempo vem a palavra “esperança”. Escolhi esses três vocábulos, pois eles se entrelaçam. Quando a mãe espera nove meses de gestação para seu filho ou filha nascer, ela exerce a esperança. Esperança no novo que vai nascer, no belo que vai chegar, num mundo melhor a procriar. E a mãe que espera dá à vida. Vida que pulsou dentre de si, durante a gravidez, pulsa agora para o mundo e pode contribuir ou prejudicar a partir de suas ações.

Mas novamente volta-se à mãe, que educa, pois ela pode direcionar o filho, sementinha nova a brotar que pode vir a ser lapidada, transformada. E aí não é só a mãe-mulher, mas o pai, os irmãos, a família em si. O pai principalmente, pois deve ser pai-mãe. Deve ter a esperança dessa vida a se construir nesse crescimento físico e espiritual que é a jornada humana na terra.

As palavras carregam consigo sua carga semântica, mas só existem de fato na oralidade e na concretude da vida. A palavra mãe só se torna o sujeito-mãe a partir do momento em que a mulher exerce a maternidade. Mas há palavras em que essa concretude é um pouco mais complicada, como é o caso da esperança e talvez da vida. Esperança é substantivo abstrato e por isso não tem uma concretude material, mas sim a concretude significativa; e esta sempre é atribuída a um ser, pois alguém tem esperança. Mesmo assim é preciso da vida para que a palavra esperança exista.

Viver é algo sublime. Assumir as palavras também. O sentido não se faz só pelas palavras, pois temos os gestos, as cores, as imagens, mas o verbo (da comunicação) talvez seja o mesmo. A raiz, a veia, a intenção de dizer algo e simbolizar é a mesma. Comunicar é pôr para fora, tornar comum algo que passa aqui dentro.

Mãe, esperança e vida! Amemos as mães, sejamos mães em todos os sentidos. Tenhamos esperança e que ela cresça a cada dia mais e que a vida brote em cada ser, cada lugar, cada coração. Mãe, esperança e vida em palavras são gestos da criação!