tatoo

São interessantes as reações que a tatuagem ou qualquer outra modificação corporal causa nas pessoas. Em mim mesmo, há algumas tatuagens que acho bonitas, outras me causam espanto e repulsa. Já escrevi sobre este tema em outras oportunidades e fui motivado a dizer um pouquinho sobre ele depois de assistir a dois programas da TV Mundo Maior, sobre Tatuagem e Espiritismo. Nele participaram o psiquiatra Flávio Braun, a psicanalista Marisa Alem e o educador físico Angel Rivas.

Ser contra ou a favor da tatuagem é o que parece vigorar. Em atomim sou contra, nos outros sou a favor. Uma questão de estilo, uma questão de escolha. Assim como nem todas as mulheres tem que usar esmalte, assim como nem todos usam boné, e assim por diante. Não me sinto bem e não desejo ter tatuagens ou piercings. Agora quando se é contra as modificações corporais nos outros deve-se questionar o porquê? Simples e exclusivamente por padrões culturais. Pintar as unhas, usar brinco, depilar-se, tudo isso é modificação corporal e nada disso causa espanto. Talvez porque a tatuagem é um registro debaixo da pele, impregnado e marcado.

Como foi discutido no programa acima citado, a pele é o maior órgão do corpo humano e é o contato com nosso interior e exterior. E é a pele que recebe a tatuagem. Por isso se marca naquilo que se tem (a pele), aquilo que se é.

Pergunta-se, faz-se a tatuagem para chamar a atenção? Sim, é para chamar a atenção, assim como me visto melhor para chamar a atenção. O ser humano necessita de ser notado, mais do que ser notado, necessita de interagir e o faz de muitas maneiras, até mesmo por simbologias. Quando se coloca na pele um símbolo quer que fique a interrogação e a necessidade de decifrar: porque você o fez? O que significa? E o tipo de desenho revela o sentimento escondido, mesmo que negado. “Quando a boca fala daquilo que está cheio o coração”, as marcas na pele trazem os sentimentos, os comportamentos e as ações executadas ao longo de uma trajetória.

São pontos diversos para se pensar. Mas não há como negar que a tatuagem é uma arte e que o caráter não está na pele, mas na alma.

Outra reflexão que surgiu é que toda cicatriz ou marca na pele pode ser a presença da ausência da dor. É uma marca que entrega uma dor, que não está mais presente, mas que se faz por meio da marca. Essas marcas são a concretização dos registros de memória da mente humana marcados materialmente.

Provocar, pensar, refletir é sempre o nosso objetivo. Nunca fechar. Mas tentando traçar um fecho ou conclusão, é pensar que a pele e todas as modificações corporais que são feitas são resultado de uma construção de identidade, que não é mais única, mas múltipla, com várias possibilidades.

Você tem tatuagem? Por que o fez? Quais são seus símbolos e o que significam para vocês? Você não tem tatuagem? Nem pretende fazer? Por quê? Fica aberta a discussão.

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