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Impressionante é o processo do surgimento da escrita em si. Como os temas vão aparecendo e o desejo de escrever sobre tal coisa nos pega de jeito e enquanto eu não escrevo sobre este assunto que me fisgou, não sossego. E assim foi com esse tema de hoje, que é a Coruja!

Nosso título é um tanto sugestivo e trago duas opções sendo: À moda da Coruja ou A moda da Coruja.

Conto como surgiu esse desejo para não pensarem que fiquei louco. As corujas têm me aparecido de forma cada vez mais presente por meio do mundo da moda, em colares, roupas, em estátuas. Outro dia fui num armazém de artesanato e achei cada uma mais linda que a outra. E dessa presença maciça, comentando com minha amiga Michelle, que eu acho interessante a simbologia desta ave, em breve ela me presenteou com uma corujinha linda, que hoje ostento no meu carro.

A minha empatia (ou repulsa) por esse animal vem de longa data. Em 2006, quando passava por períodos complicados de transtorno bipolar do humor, todos os dias às 18 horas pairava sobre o muro de minha casa uma linda coruja, a quem eu intitulei de “a colega”.

Nesses caminhos, tenho percebido “a moda da coruja” e como estou cursando uma disciplina no Doutorado (UFSCar) que se chama “Discurso, Semiologia e História”, em que se é trabalhado o corpo e a imagem como discurso, fiquei pensando na iconografia que perpassa nossa cultura. Padre Paulo Ricardo em um vídeo no seu canal fala sobre a iconografia e a idolatria, numa visão religiosa. Recentemente, tivemos uma vertiginosa presença das caveiras nas roupas e adereços, símbolo que sempre me causou repulsa. E a agora temos a coruja. Mas por que alguns símbolos emergem, de repente? O que nos traz cada (re)invenção da moda e dos modismos? Em que posições estamos quando discursivizamos essas linguagens?

Bom, por isso fui pesquisar um pouquinho e confirmei que a coruja é a ave soberana da noite. Possui a capacidade de enxergar através da escuridão, conseguindo ver o que os outros animais não veem. Além disso, carrega diversas simbologias: reflexão, conhecimento racional e intuitivo, sabedoria, mistério, inteligência e diversas crenças relativas ao mundo espiritual. Há quem acredite ainda que ela pode nos trazer mensagens à noite, através dos sonhos e da meditação.

Biologicamente falando, é a designação comum das aves estrigiformes, das famílias dos titonídeos e estrigídeos. Na região do Amazonas, algumas espécies também são chamadas de murutucu. Tais aves possuem hábitos notívagos (noturnos) e voo silencioso devido à estrutura das penas, alimentando-se de pequenos mamíferos (principalmente de roedores e morcegos), insetos e aranhas. Engolem suas refeições por inteiro, para depois vomitarem pelotas com pelos e fragmentos de ossos. Os filhotes de corujas podem ser vítimas de outros predadores, como o gavião.

As corujas podem girar sua cabeça e pescoço em até 270º em qualquer direção. O símbolo da Deusa grega da sabedoria, Atena, é uma coruja do gênero Athene: o mocho-galego. Também é considerada o símbolo da filosofia.

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A coruja nos lembra reflexões importantes. Para mim, a mais valiosa delas é a paciência. E também o mistério. Não sabemos se a coruja é um animal alegre ou triste, bom ou mal. Mal ela não faz, mas também não se sabe de suas boas ações. Considero-a um animal neutro. Ao rodar o pescoço, observa o mundo a sua volta. É uma fiel protetora, sempre olhando aqui e ali, sempre escutando, sempre comendo pelas beiradas. Nós humanos, frequentemente, deixamos de observar o mundo a nossa volta. Como nossos olhares estão domesticados a ver apenas o que queremos e não enxergarmos além da negritude da noite. Estamos presos a paradigmas, estereótipos e preconceitos e com isso deixamos de ir a fundo na imensidão da alma humana. Espero que esse texto possa suscitar em nós reflexões que estão perdidas e que possamos pensar nessa semana em viver à moda da coruja. Abraços fraternos!