margarida

Estamos no tempo quaresmal, segundo a Igreja Católica. Tempo de reflexão, simbolizado pela cor roxa, a cor da espiritualidade, da introspecção, para voltarmos a nós mesmos e nesses dias de jejum e penitência, 40 dias que Jesus passou no deserto e 40 anos de travessia do Mar Morto até se chegar ao Egito, pelos judeus saindo de lá, pensarmos no que ficou para trás como forma de arquivo ou de construção do eu. Sem culpa ou sem mágoa, mas como ponto de partida para um novo “eu” e olharmos para frente, o que projetamos partindo do presente, quem sou.

A liturgia do segundo domingo da quaresma traz na segunda leitura da Carta de São Paulo aos Romanos a pergunta “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” E a resposta é muitas vezes: nós mesmos. Somos contra nós mesmos, todas as vezes que nos negamos ao conhecimento e burilamento do ser.

Recentemente li um livro do Dr. Andrei Moreira e do Espírito Dias da Cruz, chamado Autoamor e outras potências da alma. O livro nos ensina como aproveitarmos os pontos positivos, chamados de potencialidades, de nossa alma.

Deus não nos criou para o sofrimento, mas muitas vezes as escolhas equivocadas nos trazem dor e desencontro.

Vou aproveitar hoje dois exemplos que nos chegam e ambos dizem respeito aos relacionamentos afetivos para podermos chegar a uma conclusão da importância do autoamor em nossas vidas. Já adianto que autoamor, não é apenas gostar de nós mesmos, nos admirar, destacar as potencialidades que temos. É antes de tudo o resguardo, a reflexão segura e madura, as escolhas menos equivocadas, e na maioria das vezes é se entregar totalmente ao outro, ao próximo, em benefício da obra de Jesus e do Pai para que sejamos co-autores da evolução terrestre e celestial e que possamos no amor ao outro, nos encontrar e amar e respeitar a nós mesmos.

O primeiro caso é de um homem que se separou da mulher porque ela o traiu. Chegando um dia em casa este rapaz depara-se com a mulher e um dos melhores amigos dele em encontro afetivo. Muito triste e abatido, João (nome fictício) nunca mais encontrou sucesso em seus relacionamentos amorosos depois que se separou. E ainda acaba por manter um certo laço com a ex-esposa porque juntos os dois tem um filho. Ao conversar e ver como essa situação foi se desenvolvendo, João declarou que a mulher só o traiu porque ele tinha em dado momento também se relacionado com uma mulher extraconjulgamente e a mulher descobriu e para se vingar fez o mesmo.

por do sol

Percebemos neste episódio a falta do autoamor. Ou seja, não porque João não gostasse de si mesmo ou da sua esposa. Mas porque em um dado momento ele tomou uma escolha, um caminho que não lhe trouxe mais paz. Ele buscava, não podemos julgar, sair da rotina? Uma aventura? Só que tudo que fazemos, volta, para toda ação, uma reação e essa desventura voltou de forma rápida e triste, porque ele nunca mais conseguiu se relacionar, pois ferido estava o seu autoamor.

O segundo caso é de uma jovem que relata problemas em seu casamento com poucos meses depois do matrimônio. O que me parece é que essa jovem sempre muito fogosa, teve vários relacionamentos na juventude que não deram certo, mas ela precisava se casar e quando conseguiu se estabilizar com o atual esposo, não deu outra, não só ela, mas toda a família uniram esforços para os dois se casarem. Falta autoamor. Falta pensar. Falta ver qual escolha estou fazendo, e o que isso vai implicar na minha constituição enquanto espírito imortal.

Demos dois exemplos de relacionamentos afetivos, pois achamos que são neles é que faltam mais o autoamor. Muitas vezes dizem que falta amor em relação ao parceiro, mas não é verdade. Falta amor em relação a nós mesmos. Pois quando escolhemos só por nossa conta, para satisfazer, prazeres, desejos e sonhos, estamos deixando de olhar o lado do próximo, do parceiro, e com isso estamos sendo egoístas e se eu não amo o próximo, eu também não amo a mim mesmo.

É um caminho que se cruza sempre: amar a si e amar ao outro. Um reflete no outro. Quanto mais eu amo meu próximo, melhor me encontro e quanto mais me encontro, mais estou apto para amar e amparar o meu próximo.

Pensemos nisso nessa semana e busquemos refletir o que temos feito para fomentar o autoamor em nós. Quais tem sido nossas escolhas e quais tem sido seus resultados? Se a resposta para os resultados for negativa ou dolorosa é hora de começarmos a rever nossas escolhas e hábitos. Nesse tempo quaresmal, para desenvolver o autoamor, devemos pensar em Jesus pregado na cruz e com tanto sofrimento para salvar o mundo. Ele só amou o mundo e se entregou para salvar a humanidade porque sabia amar o próximo, mas amava o próximo porque estava em plena paz consigo e era um espírito muito evoluído com as doses de autoamor nas alturas.

Abraços fraternos!
Danilo Vizibeli

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