internet

O dia começa às 7h da manhã. Alguns conseguem tomar o café da manhã. Outros já vão direto para o computador. Tenho uma pessoa de mais idade na minha família e que mora sozinha. De vez em quando o filho vem de Belo Horizonte para passar os dias com a mãe. Só que ao invés de conversar e interagir com ela, prefere ficar jogando Candy Crush, Pet Rescue e outros joguinhos no notebook. A casa é de dois pavimentos. Quando a esposa vem, ao acordar, ela nem desce para tomar o café. Fica jogando até umas 10h na internet. É isso que chamo de efeito rococó nos caminhos da web. É aquela rotina de ir clicando tudo, ir procurando tudo, procurando respostas que nunca chegam, porque nunca se sabe o que se procura. E muitas vezes não se procura nada. É apenas o efeito viciante de clicar, clicar, clicar. Quantas vezes olhamos nossa caixa de e-mail para saber se uma determinada resposta chegou. E quando chega, respondemos novamente e voltamos ao círculo da ansiedade, porque queremos que o outro responda rápido. Quantas atualizações no Facebook esperamos por dia?

A ansiedade gerada em esperar um novo comentário no Facebook, ou em algum fórum, ou algum e-mail pode ser dolorosa. Quando o telégrafo foi inventado, a superação das barreiras de comunicação era enorme. Quando o telefone chegou às casas, esperávamos ansiosamente o barulho de sua campainha, até então muito analógica ainda, em busca de conversar de um jeito diferente mediado pela tecnologia. Hoje não esperamos mais o telefone tocar, esperamos o barulhinho do Whatsapp e amanhã não se sabe qual barulho vai se esperar, pois já é tanto ruído que muitas vezes a cabeça não consegue fazer silêncio e processar a voz que paira dentro de você.

O percurso rococó na internet faz com que a pessoa passe a maior parte do seu dia conectada no modo ON. O processo gera um desgaste que vicia e que faz com que precisemos sempre estar conectados à virtualidade. O virtual não surgiu com a internet. Ele significa a possibilidade de vir a ser. Uma das metáforas mais coerentes que já vi sobre o virtual é a semente. Ela não é a árvore ou a planta, mas ela é a possibilidade de vir a ser uma árvore ou planta. O problema do virtual na internet é esse. Tudo que eu fantasio, vejo, ouço, converso, clico poder vir a ser no mundo real. Só que quando se concretiza no mundo real, pode não ser da forma como se fantasiou ou pior, pode nem ser. E com isso a energia da pessoa vai acabando, ela vai ficando fraca para os laços reais e ela se torna um zumbi de computador ou internet. Ela está desgastada, mas volta para a web porque terá novas possibilidades de vir a ser. Só que nunca se é.

Deivison Pedroza, engenheiro mecânico e advogado, com 15 anos de experiência em implantação, manutenção e auditorias de Sistema de Gestão Integrada, possui um canal de vídeos no YouTube, sendo que o mais famoso deles chama-se “ON ou OFF: de que lado você está?”. Em uma das citações do vídeo ele coloca que essa é única resposta que você não encontrará no Google. Podemos concluir do vídeo que a vida do planeta é muito mais do que a vida da internet e precisamos nunca deixar que ele desligue.

Por isso, buscar se conhecer e adquirir novos hábitos é um caminho que permite que trabalhemos na construção de um mundo melhor, pois a internet é só mais uma manipulação midiática e consumista que nos coloca sem poder de decisão, enviesados num pensamento único. E enquanto não tivermos essa consciência continuaremos a discutir, a expor, e violentar nossas vidas no Facebook e em demais meandros da internet.

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