Diante do contexto da efervescência da internet e das chamadas redes sociais me pergunto se consigo ficar alguns meses sem o Facebook, por exemplo. Deletei a sincronização automática do Facebook e o aplicativo Messenger do meu smartphone. Quero a partir do dia 1º de fevereiro ficar sem o acesso ao Face ou, pelo menos, diminuir drasticamente. Diversas propostas de trabalho têm surgido e não vou ter tempo de me dedicar a esses aplicativos. Fora que tenho um compromisso de postar ao menos uma vez por semana um texto novo aqui no blog.

Nesse artigo procuro delimitar a internet como a propulsora de uma desconexão dos laços sociais e ainda definir os conceitos de redes antissociais como promotoras das zonas de solidão e ladrões de tempo.

Se o século XX foi o século da indústria e da tecnologia, o XXI é a era do ser em si. Todos os holofotes estão voltados para o ser humano como ser que interage, mas de forma mediada pela Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação. É também um século da imagem: o que importa não é aquilo que sou, mas aquilo que aparento ser. As pessoas passaram a ter necessidade de expor suas vidas em fotos ou palavras.

Minha amiga, professora e pesquisadora, Michelle Aparecida Pereira Lopes, lendo Gabriel Chalita citou-o e fez a seguinte reflexão: “‘Uma sociedade de superficialidades rouba instantes preciosos. Histórias belíssimas perdem o direito de nascer’. (G.Chalita) Li essas frases hoje, em um calendário. Fiquei pensando um pouco sobre esses dizeres: sociedade de superficialidades, superficialidades… Dou-me conta de que tantas coisas superficiais nos são ensinadas, empurradas e, sem nos darmos conta, vamos engolindo-as e interiorizando-as. De repente, o superficial virou o necessário e o essencial tornou-se o relevante. Da noite pro dia não conseguimos mais imaginar a vida sem o celular, sem o carro, sem a rede social e aí, passamos a conviver mais com as coisas e menos com as pessoas. Falamos virtualmente com alguém que está do outro lado do oceano, mas não encaramos quem está no sofá ao nosso lado. Não há verdade, ou superficialidade maior que isso. Nossas relações estão presas aos fios do notebook, nas fibras óticas das operadoras, no sinal wi-fi… Eu, hein. Quero mais realidade que isso…” O comentário de Michelle serve para definirmos que a internet está desconectando as pessoas das suas relações reais e está criando zonas de solidão dentro dos espaços da web.

As pessoas passam horas conectadas conversando com um amigo ou namorado, ou irmão, mas não conseguem levar adiante um relacionamento afetivo (não só relacionamentos amorosos, afetivo em sua ampla significação). Destroem-se amizades, casamentos duram dois meses e tudo mais. Na internet, o Facebook, os sites de relacionamento como Badoo e Par Perfeito, as salas de bate-papo ou chats e tantos outros mecanismos funcionam como zonas de solidão. Ali eu nunca estou sozinho. Há sempre alguém me vendo, me curtindo, me compartilhando. Como se a verdadeira partilha não necessitasse de uma dose a mais de conhecimento do outro, de penetrar a fundo em suas vivências. Aí todo mundo conhece todo mundo e, de repente, tem-se 5 mil amigos no Facebook. Mas quem tem 300 amigos na vida? Nas salas de bate-papo só pelos nicks, ou apelidos, que os usuários utilizam dá pra notar a carência e a solidão de uma pessoa que entra dizendo: Sozinho em Casa, Sexo HH, Tenho local. Colocam em risco, por meio dos relacionamentos sociais a sua identidade, só para acabar com a solidão, mas ela não acaba, por que tudo se descarta facilmente. E amanhã entra-se na sala de bate-papo novamente, para ficar sozinho novamente, mas enquanto estou ali, estou acompanhado, seja de quem for, mesmo sem eu nem conhecer, o rosto, a voz, o cheiro, pois estou conectado a ele ou ela virtualmente, mas desconectado totalmente daquilo que o outro, que está de lá, é, realmente. Não compartilho suas experiências, não curto ou observo suas qualidades e defeitos.

Outro fato curioso é que o tempo tem passado depressa demais. E um dos grandes motivos disso é que as ondas que correm pelas fibras óticas são velozes demais e o tempo está se esvaindo porque ficamos uma tarde inteira conectados no computador e desconectados do mundo. Os aplicativos roubam nosso tempo. Entramos para apenas olhar um e-mail que gastaria 5 minutos e, de repente, já se passou meia-hora porque nos pegamos conectados com as redes antissociais e desconectados daquilo que realmente precisávamos fazer.

As redes são ditas sociais, mas na verdade são antissociais. A socialização pressupõe o conhecimento, a observação das pessoas, o entrosamento e a troca de experiências e vivências. Nas redes sociais conhecemos apenas facetas. As pessoas estão felizes o tempo todo e às vezes por uma palavra mal colocada brigam umas com as ouras, porque esse Facebook foi feito apenas para ganhar dinheiro, lá na América do Norte e os pobres brasileiros daqui de baixo que vão tecendo suas intrigas, postando a foto do almoço ou o passeio no clube, vão se desconectado e deixando sua história escamoteada num aplicativo que pluft! Amanhã pode desaparecer. Ou amanhã eu posso querer me conectar novamente ao mundo, à realidade, à vida… Mas aí, pode ser tarde demais porque já estarei sempre plugado e totalmente desconectado de mim mesmo!

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