A Rede Globo de Televisão levou ontem ao ar o primeiro capítulo da minissérie “Felizes para sempre?” Já não é de hoje que a poderosa do plim plim vem mostrando o seu objetivo de inverter os valores morais sociais e com isso vender cada vez mais cenas de sexo tórridas, já que o sexo vende e a indústria pornográfica arrecada bilhões de dólares, euros ou reais no mundo todo. Sem contar que esconde casos de prostituição, contaminação por AIDS e outras doenças, assassinatos, crimes, tráfico humano…

Desde o lançamento do programa Big Brother Brasil em 2001 o nível do conteúdo diminuiu drasticamente. Não sou desses fanáticos que abominam a Globo por tudo. Considero o seu potencial produtivo e a qualidade de suas produções. Gosto de muitos programas como Profissão Repórter, Globo Repórter, o próprio Fantástico às vezes tem algo que presta. Não assisti ao primeiro capítulo da minissérie pornográfica deste ano e por isso não posso criticar com veemência. É escolha própria não assistir, assim como é escolha própria não ler “Cinquenta tons de cinza”, por exemplo. Conteúdo pornográfico tem alto impacto e se as pessoas soubessem os danos na vida de uma pessoa pensariam duas vezes.

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A Globo atinge o Brasil inteiro, todas as classes sociais, todas as religiões… É um público mais do que heterogêneo. Coloca-se um produto em que a temática principal é sexo, corrupção, roubo… tudo que há de ruim no ser humano, está lá. Modernas tecnologias temos hoje e pra quê? Se os homens querem se resfolegar como cães e gatos no cio na frente da TV?

Na minissérie, apenas pelo que li, já notamos que há troca de casais, um casal contrata uma prostitua para apimentar a relação e uma senhora de 46 anos de casada, põe o casamento a perder por uma paixão súbita e puramente sexual com um aluno ou professor, não sei, da faculdade em que dá aula. Puritanismo? Talvez! O que mais me deixa inquieto é que a Globo não está mostrando e criando uma fantasia, mas está mostrando o que acontece na sociedade, só que nem tudo que existe precisa ser mostrado. Para comprovar a perversidade da sociedade basta dar uma espiadinha nas salas de bate papo na internet. Ali tem marido buscando sexo com homem, gente se vendendo e tudo mais.

Fico chateado ao escrever um post como esse, pois penso que ao invés de servir para educar e refletir no que pode revelar a alma humana, ele possa divulgar ainda mais a minissérie, que não ouso repetir o nome.

Penso, como analista do discurso, que no título não há só uma ordem discursiva social e moral que implica que todo casamento nasce para acabar, mas há um interdiscurso religioso que quer acabar com a institucionalização do matrimônio. Esse não é um movimento só da Rede Globo, mas um movimento de um grupo de pessoas que colocam o prazer como condição que não pode ser controlada, não pode ser refletida, tem que liberar… Como exemplo, cito o trabalho da sexóloga Regina Navarro Lins em seu blog no UOL. Ela defende o poliamor. Ou seja, você pode amar várias pessoas ao mesmo tempo e inclusive ter relações sexuais com elas. Isso é voltar aos tempos tribais onde o sexo era apenas reprodução. Interessante notar que esse mesmo movimento que defende a liberdade sexual pelo prazer, não vê que isso se conquistou ao longo da história com a individualização e a monogamia das relações. Pois até então tinham-se apenas relações genitais e não relações afetivo-sexuais.

Em pesquisa prévia para escrever este post, encontrei um vídeo do psicanalista Alexandre Simões, em seu canal no YouTube em que ele trata da perversão. Ele chama a atenção para a imagem estereotipada que se tem da perversão em geral. Ou seja, o que para mim estou tratando aqui como perversões que a Globo está mostrando na série, pode não ser. São apenas ações, comportamentos, diferentes daquilo que se tem como padrão ou dito comum. Não é a perversidade. Assim a etimologia da palavra perversão leva ao significado de algo que está virado ao avesso, desviado. Assim o psicanalista estipula os tipos de anestesias (falta de prazer), hiperestesias (prazer em excesso, ninfomania), parestesias (comportamentos em paralelo como sadomasoquismo, fetichismo) e as paradoxias. Tem tudo isso na Globo, (e muita perversidade, isso sim) e talvez seja até bom que seja assim, pois se conhece mais da sexualidade humana que é uma caixa de surpresas. Mas infelizmente não estamos falando só com um determinado tipo de público que já está preparado para falar tão abertamente sobre essas questões e que se tiver algum problema, vai recorrer ao seu analista ou psicólogo no dia seguinte e daí, tudo bem. Não, não é assim. Por isso a minha crítica.

Dr. Andrei Moreira, homeopata, presidente da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AMEMG), em visão mais abrangente diz que “o homem escolhe com o que se sintoniza, a partir daquilo que cultiva em sua intimidade. Quanto mais interiorizado e adestrado na autopercepção e autodomínio, mais sintonia com os altos propósitos da existência”. (ANDREI MOREIRA; DIAS DA CRUZ IN: Autoamor e outras potências da alma. Belo Horizonte: AME Editora, 2012).

Todos podem escolher assistir a minissérie. Mas todos podem se autodescobrir e se autorrevelar ou cruzar caminhos tortuosos e ser na verdade infelizes para sempre.

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