Pensei muito nesses dias se eu iria escrever e publicar aqui um texto sobre o Caso Charlie Hebdo. Eu como bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, ou seja, Jornalista, deveria fazê-lo. Mas o tema é um tanto polêmico e pode suscitar pontos de vistas conturbados ou discussões que fiquem só no blá-blá-blá. Temos que arriscar. E ficarei feliz se tivermos muitos comentários.

Essa é uma daquelas questões em que não dá para ficar em cima do muro. Não existe meio termo. Ou você apoia a liberdade de expressão irrestrita, ampla e que use qualquer artifício para defender o livre pensamento, ou você acha que essa liberdade tem limite.

Quando resolvi escrever este texto eu estava convicto de que defendo a liberdade de expressão, mas que esta não deve se confundir com a libertinagem de expressão, ou seja, o excesso e o desrespeito ao próximo. Choveram nas últimas semanas artigos e comentários sobre o caso e até o Papa Francisco se manifestou muito sabiamente dizendo que a liberdade de expressão não pode ser usada para insultar o próximo.

Porém, antes de escrever o texto assisti a uma reportagem do Fantástico sobre A Geografia do Terror mostrando como agem os principais grupos terroristas do mundo. A história é triste. Morte em nome da religião fanática e doentia. Aí pensei se a forma agressiva e pejorativa que o Charlie Hebdo usa não pode ser uma maneira de chamar a atenção e de bater de frente com esse mal que assola nossa humanidade. Pois muitas vezes, as grandes revoluções, infelizmente, precisam de um barulho enorme.

Só que, ao mesmo tempo, reflito que hoje não precisamos mais de tanto barulho. As novas tecnologias já fazem o barulho por si. Assisti a vídeos de jornalistas renomados – Eugênio Bucci, Paulo Caruso e Caio Túlio Costa debatendo no Observatório da Imprensa e defendendo a liberdade de expressão irrestrita.

Acredito num jornalismo cidadão, comunitário, que precisa se desvincular da liberdade de empresa. O que o Charlie fez foi aumentar ainda mais o ódio e agredindo não só a Al Qaeda do Iêmen, mas a toda a sociedade mundial com desrespeito e imagens ofensivas, num momento em que precisamos é de paz, de amor, de fraternidade.

Vivemos um mundo visual demais e as palavras estão perdendo a força, assim como a voz. A voz da consciência, da sobriedade, da serenidade, da integridade. Não nos escutamos mais. E o Charlie Hebdo entrou nessa gritaria do mundo usando as suas imagens grosseiras para ofuscar ainda mais nossas visões. Sugiro a reflexão do filme Ensaio sobre a cegueira de Saramago. Estamos todos cegos?

Não estou defendendo aqui atos terroristas. Jamais o que aconteceu pode ser louvado e dito em jargões popular: “Bem feito, tiveram o que mereceram!” O assassinato de quem quer que seja não se justifica. Mas a imprensa está preta. A cada dia só terrorismo. Passaram dias deste atentando e as manchetes eram sobre o brasileiro fuzilado na Indonésia. Que triste! Ah ele é traficante! É sim! Mas a morte de quem quer que seja me choca. Sempre acredito no amanhã que pode vir a ser melhor. É claro, a imprensa tem que noticiar sim, mas daqui a pouco já deve estar chovendo nas redeis (anti)sociais os vídeos do fuzilamento. Clareemos nossa imprensa. E usemos a liberdade com moderação, senão estaremos voltando ao estágio da barbárie, da selvageria. Tenho sim o livre-arbítrio, mas tenho também a certeza de que posso tudo, mas tudo me convém? Para os jornalistas do Charlie, puderam tudo, mas não foi conveniente, pois morreram drasticamente. E apagaram-se vozes, que poderiam estar lutando contra o terror, de forma mais amena e usando a famosa liberdade de expressão. Mas eles morreram cientes, diriam alguns, eles devem estar felizes de morrerem defendo a causa. E isso não seria um pensamento terrorista também? Vida! Venha viver, lutar, encorajar com vida e consciência, razão e liberdade de exprimir, não de violentar (ainda mais)!

PS: Não publico qualquer imagem do semanário francês, pois não me sinto à vontade para compartilhar e reproduzir o trabalho feito por ele.